Saturday, February 11, 2017

PARA QUÊ ?!


Para quê, construir muros!?
Dividir povos,
despedaçar corações,
proibir abraços,
em vez de se construir fraternidades,
unir corações,
erguer diálogos!

Para quê, construir muros!?
Fechar portas,
destruir caminhos,
cruzar braços,
em vez de se rasgar muros,
abrir horizontes,
abrir abraços!

Para quê, para quê esses muros?!
Esses muros da discórdia,
da incompreensão,
da intolerância,
se o que é preciso é condescendência,
harmonia e paz!

A justiça,
é construída com a ponderação, retidão e o saber;
Não se constrói com muros,
esses, impedem a liberdade e a paz.
Os inocentes,
não podem pagar as maldades dos promotores das guerras.
Aos construtores da paz, do trabalho, do progresso,
abram-se portas,
rasguem-se caminhos, indiquem-se horizontes;
e os alicerces dos muros,
que sirvam para abrigo dos povos necessitados;
e que jamais não existam muros,
para que a pomba da paz e da liberdade,
possa pousar em todos os povos.

 Valdemar Muge

Sunday, February 05, 2017

NESTE INVERNO QUE PASSA


Estamos no inverno,
onde a natureza se despiu e o calor fujiu.
Tristeza esta!:
Cai neve e a neve que cai,
é manto branco que cobre a alegria da natureza,
e a tristeza sobressai aos olhos dos seres que nela passam.
Tristeza esta que cai nos corações que nela deambulam,
de cruel destino do peregrino de rua.
Cai chuva nos rostos cansados,
nos olhares da esperança do fraternal amor,
nas vidas que anseiam a vida viver!
Cai chuva nos rostos das lágrimas de sofrimento,
e nos sorrisos do afecto que povoa no tempo.
Cai chuva nos corações sem luz de felicidade
e na natureza despida, com lágrimas doridas.

E neste melancólico silêncio de inverno,
as flores da inocência vergam-se ao frio;
os sorrisos, se desfazem em tristezas
com as lágrimas encharcadas nos rostos,
nos peregrinos que dia-a-dia vamos encontrando.

Depois desta malancolia invernal,
esperemos o renascer das novas auroras;
esperemos a alegria nos corações,
e os sorrisos de felicidade nos rostos;
esperemos a alegria da andorinha na primavera,
e o perfume das camélias a florir.

 Valdemar Muge

QUANDO

QUANDO...

Quando um dia morrer,
junto das nuvens
plantarei um jardim de flores com pétalas de Amor,
e com elas, enfeitarei o nosso canto de paz;
com o brilho das estrelas,
                     iluminarei o caminho que um dia irás percorrer;
esperarei por ti,
na nebulosa de descanso eterno que preparei,
para sempre nossas almas juntas estarem.
Não tenhas pressa amor,
esperarei por ti com as flores de Amor que colher,
e com o brilho das estrelas mais belas que juntar,
para então te enfeitar nesse eterno amar.

Não chores,
guarda a tua frescura, os teus sorrisos, o teu afecto,
para levares,
para quando nessa viagem que um dia encetares,
com eles, então abraçarmos.
Deixar-te-ei amor, as palavras que te cantei;
os sonhos que nos envolveram;
se o amor não foi tanto como o merecias,
( talvez por causa da minha imperfeição),
mas foi, sempre foi,
para que a seiva da felicidade fluísse junto de nossos corações.
Se assim foi, isso me dói,
essa mágoa não a quereria um dia levar,
quando os nossos corações
ficarem em silêncio dessa minha ausência.

Um dia, ficarás então com a recordação da imagem de meu ser,
e eu, a tua a levarei… imagem que jamais a esquecerei
e sempre a quero ter.
Entretanto, continuemos a preparar esse longo caminho:
nascerão pétalas para cobrir essa caminhada a percorrer,
e o Amor, fluirá à nossa volta para nos receber...
onde lá, tão longe, te ei-de esperar,
talvez mais perfeito estarei do que aqui,
para eternamente te amar.

 Valdemar Muge

Saturday, January 28, 2017

SEMPRE QUEREREI OS VOSSOS SORRISOS


Sempre, enquanto viver,
quero ver os vossos sorrisos!
Não me os tirais!
Enquanto eu os tiver,
sei que trazeis a felicidade, o amor, a simpatia.
Quero olhar para vossos olhos e ver a alegria de viver;
Quero olhar para o vosso rosto,
e ver o encanto da felicidade;
Sempre quererei que nos vossos corações,
esteja a força de querer viver fraternalmente!

Sempre quero ter os vossos sorrisos,
com eles, quero seguir nos caminhos a percorrer:
Serão ar radioso no tempo que passa;
serão frescura como rosas que espalham o seu odor;
serão água correndo, alegria bailando, vida espalhada
nos corações que se amam e que a essência partilham!
Nos vossos sorrisos, como eu os vejo:
Eles têm mar e ria da minha terra,
e a cristalina água das fontes e dos rios;
têm o encanto da natureza e a alegria da felicidade;
têm a suavidade do amor e o sentir da dor;
têm o afago de mãe e o carinho de esposa;
têm vida que à vida sonham,
lutam para o amor abraçar!

Enquanto eu viver,
sempre quererei esses vossos sorrisos,
serão sentidos da grandeza da vossa alma
que transparecem no fluir de quem por vós passa
e aos corações enlaça.

Valdemar Muge

Saturday, January 14, 2017

TRISTEZA MINHA...


Ninguém vê a minha tristeza,
porque anda envolta
com as nuvens das lágrimas de sofrimento
e das palavras de sentido maldoso,
não deixando transparecer aos vossos olhos,
mas acreditem que a trago comigo:
porque ela nasceu
com os desgraçados encurralados nas ruínas
e dos sobreviventes que moram debaixo das pontes,
sonâmbulos da droga e da miséria;
ela nasceu ao ver as vidas perdidas
das mulheres nas ruas desertas,
com risos cativantes,
mas com sentidos angustiosos de dor e sobrevivência;
ela nasceu com as crianças esfomeadas e violadas,
num mundo de escombros maléficos e cruéis!
Ninguém vê a minha tristeza,
mas podem crer que ela existe,
porque está encoberta com o manto das flores
que suavizam a alma
e nos gestos de ternura partilhados
que ainda paira nos corações de boa-vontade
que dia-a-dia,
tentam esquecer o flagelado mundo que existe…
mas ela me acompanha,
porque nasceu do podre das sociedades inflamadas;
da dor nas almas,
e das desgraças acontecidas das guerras
nasceu da dor da miséria
e da fome nos casebres perdidos e escondidos;
da ruína do mundo, com o manto da poluição,
onde os mares engolem casas,
e as flores morrem sufocadas dos dias cinzentos!

Esta tristeza que ninguém vê,
não a quero dar,
porque quero que ela se transforme
em alegria e felicidade!
Então, não cantarei mais tristeza,
porque em cada mão,
haverá uma profissão com trabalho,
e em cada coração, uma dádiva de amor!
Esperarei que um dia,
o amor incendeie a terra,
e as lágrimas de então,
reguem as raízes da concórdia;
a água da chuva,
lave a lama impregnada nas pedras poluídas
da miséria que permanece!

As auroras das primaveras,
resplandeça com novos dias
de felicidade entre os povos,
e a paz e o progresso reine entre os seres,
que a anseiam e a necessitam.

 Valdemar Muge

Saturday, January 07, 2017

SEMPRE CANTAREI AS ROSAS


Não querem que eu cante mais as flores!
Não o posso fazer!
Não posso,
porque sei que as rosas nascem no meio
da felicidade e do amor,
no meio da alegria e da tristeza,
por isso tenho que cantar esse nascimento de louvor!
Quero estar no meio das rosas,
no meio da essência,
no meio de tudo que elas embelezam
e acarinham a vida!
Eu sei que as rosas te acompanham, te afagam,
porque estão no cântico das palavras sentidas,
e no afeto das tuas mãos.
Elas têm a tua delicadeza,
os teus sorrisos, o teu encanto,
por isso, quando as tenho, tenho o teu sentir.

Mas como posso não cantar as flores,
se vejo os lírios da dor,
nas pedras ensanguentadas dos crimes cometidos;
se vejo açucenas nos charcos da miséria e da droga,
nas lágrimas e na dor,
a suavizar esses dias indesejáveis e trágicos,
para que a angústia existente desapareça
e a esperança traga aos corações
futuros dias de felicidade.
Abraçarei sim as flores e sempre as cantarei,
porque elas comigo estão, aqui e ali,
companheiras dos meus dias,
da alegria, da felicidade e da tristeza,
que para mim e para ti nascerão!

Pudesse eu ser vento ou aragem,
pudesse ser luz ou luar
para as flores espalhar a todos vós,
neste encanto de poesia,
um grande regaço de pétalas de carinho e amor,
vos daria,
para que houvesse um mundo melhor de paz e concórdia!

Valdemar Muge 

Saturday, December 10, 2016

ALELUIA


Na aurora deste novo dia,
nasceu uma criança:
o filho do amor, da reconciliação, da paz.
Alegremos!
Uma estrela pousará numa nova vida,
uma luz brilhará numa nova alma!
Aleluia!

Será uma vida que quererá amar,
quererá a felicidade viver, cantar;
uma vida que quererá as asas do pássaro da paz,
para percorrer a liberdade desejada.
Quererá ter os búzios para ouvir a voz dos mares
que amaciam as areias e onde pousa o sol,
dormindo embalado;
quererá desfrutar a voz do silêncio da natureza,
e sentir o aroma das rosas e o cantar do trigo, semeado.
Uma vida que quererá a rota da ventura:
que poderá ser de felicidade, áspera e dura.
Uma vida que quererá ver a água nascida, renovada,
que purificará os corpos, fonte da vida dada;
quererá louvar o fruto nascido, esperado,
em sinal de hino há vida, cantando e louvado.
Aleluia, aleluia!

 No turbilhão do tempo que passa,
ele se reparte e quanto não nos enlaça; 
é rio que corre e não mais volta;
é sonhos que nele vão, que se perdem, e já não são.
Nas águas do tempo que corre,
foram espelho das imagens idealizadas,
quantas que foram, eram,
mas vida não deram...
agora, saudades sentidas ficaram.
Fica a melancolia com a nuvem que pousou, desceu,
fica a tristeza dum sonho que não nasceu...
mas outros virão,
outros nascerão ao sol que há-de brilhar,
e serão construídos com amor, em castelos de paz...
Porque ele luta pelos seus sonhos, e sempre lutará,
porque não quer ser o filho das chagas
e da dor dos incompreendidos;
não quer ser o caixão das lágrimas,
das derrotas e das prisões;
não quer ser o encontro das misérias
e o espectador das falsidades!
As nascentes brotarão a água da paz e da concórdia,
e as rosas cobrirão as almas de felicidade.
Acredita e vai, que os sonhos se realizarão!
Vai com a luz da vida, da esperança, da fé!
Aleluia, aleluia, aleluia!

 Valdemar Muge

Saturday, November 26, 2016

AS PALAVRAS


Quantas palavras escrevi que delas nasceram
flores queridas de amizade de carinho;
quantas nasceram do meio das áridas escarpas
e floriram açucena de reconciliação e gratidão.
Quantas palavras nasceram nas revoltas ondas
e o mar se transformou em suaves águas marejadas.
Quantas palavras cantei: de amor, de paz, de fraternidade,
para nascerem frutos de alegre felicidade.

Quantas palavras foram escritas
que denunciavam o ódio e a maldade,
a ingratidão e a injustiça:
elas soaram no tempo,
atravessaram a tempestade,
e quiseram trazer a bonança, a felicidade;
das nuvens do silêncio, vieram,
choveram quantas de dor e sofrimento,
ao encontro do bálsamo da suavidade e conforto.

No tempo solar, quantas palavras viveram,
do coração foram escritas com ternura,
com afeto, com carinho:
assim foram espalhadas,
foram partilhadas para todos aqueles
que de boa vontade as quiseram receber.
Mas quantas ainda andam na rua, vagueando,
transformadas em pétalas de poesia,
(acreditem que são queridas,)
à espera que as apanhem e as guardem carinhosamente...
Reparai, que elas vão ao vosso encontro,
querem o vosso conforto,
vos querem abraçar em fraternal amizade.

Quantas palavras nasceram,
e quiseram ser o que sonharam:
algumas, dos sonhos viveram, outras, mortas ficaram.
Quantas quiseram ser,
o que os sonhos idealizaram para viver,
mas só o foram o que poderiam ter,
porque mais além, não puderam ser.

Não sei se vos agradei, tudo aquilo que vos dei,
mas só assim é que soubestes o que sou e sempre serei.
E assim, sozinho, com as minhas palavras,
só para mim não as fiquei:
delas partilhei,
vos cantei e sempre elas convosco estarão
em eterno e querido abraço, ficarão.

Valdemar Muge 

Saturday, November 12, 2016

IREI, PARA ONDE, NÃO SEI...

                                        

Neste meu viver que dia-a-dia convosco passei,
bons momentos foram que tanto amei:
nasceram minhas amizades, meus afetos...
agora, vou à procura noutros lugares,
longe ou perto,
de outros tantos sentidos,
que meu coração tanto anseia,
e que sempre serão tão queridos!

Por essa razão,
e sempre com o desejo dessa paixão,
me vou ausentar.
Viajarei para onde o destino me levar,
irei abraçar outros seres, irei ter outras amizades,
outros rostos, outras emoções;
irei ver outra natureza, abraçar outro calor fraternal.
Irei talvez encontrar outras primaveras
onde as açucenas desabrocham dos corações,
e o rouxinol canta a alegria da felicidade;
ou, encontrarei outonos que adormecem embalados
com os seres que sonham com o amor,
entre todos partilhado.

Ainda não sei para onde e como irei:
ainda não sei se irei no vento que por mim passa
ou na aragem que sempre me enlaça;
não sei se vou na luz da aurora que cada dia me afaga
ou na estrela que cada noite me ilumina;
se irei nas asas do pássaro do amor
ou na nuvem da saudade desta partida, quando fôr!
Serei vento ou brisa, ou estrela de luz que brilha;
serei aquilo que sou, embalado naquilo para onde vou...
mas será que sei o que sou?
- quando eu novamente voltar,
Então, dir-vos-ei quem realmente serei:
de onde vim, o que senti e o que dento de mim terei,
quem realmente sou!

Meus amigos,
de vós muitas saudades vou ter
nesta viagem que vou fazer:
levo o vosso carinho,
a vossa amizade no meu coração;
levo os vossos sorrisos,
os vossos abraços nos meus sentidos;
levo a tela da natureza que à minha volta nasceu;
levo toda a poesia que em nós viveu!
O encanto que aqui encontrei,
essa beleza querida que junto de vós alcancei,
para onde vou, a espalharei,
e outra tanta deverei encontrar e amar,
onde também a hei-de cantar...
e, então, quando novamente eu para junto vós regressar,
a todos vós também a espalharei,

para quem sempre a quiser, a darei!

Valdemar Muge

Saturday, November 05, 2016

NAS PRIMAVERAS DO AMOR


Mas que triste aragem esta,
tão gélida e sombria,
que parece noite este triste dia:
esta angústia que passa
como enlaça os corações:
é dor que se exala,
do que se vê e do que se sente.

Já não corre o suave frescor da natureza
envolvido no aroma das rosas,
e embalado na melodia das aves,
que então aqui e ali se sentia.
O tédio é imenso e a dor profunda, que agora passa:
morreu o amor,
 morreu naquele corpo no chão postado!
Ali, caíram, tombaram as rosas da alegria, da felicidade.
Sobre aquele rosto sereno de eterno sono,
deslizam lágrimas deixadas de saudade...
pois ali,  aí já não mora a então felicidade,
já o amor ali não mais proliferá.

No dolente silêncio da rua,
tangem os sinos,
na despedida àquele amor que jamais não volta…
mas a saudade dele ficou e sempre aqui morará.
Naquele sentir que passa,
nos passos fúnebres que as almas levam,
caiem dos rostos, as lágrimas,
nas pétalas brancas de saudade àquele ser que vai,
àquele, por quem a dor dos corações sai.
Aquele sentir que na rua segue,
ele se ergue ao céu, não se sepultará,
porque são esparjos vindos dos corações...
desses, é  amor que jamais não morrerá.

As estrelas deixaram de brilhar;
os dias escureceram nos corações sem aquele amor.
A natureza chora,
e as lágrimas correm,
correm no rio da angústia até ao mar ,
com as dores que ele consumirá.

Mas não! Não chorem mais!
Cessem as agonias!
O amor não mais morrerá!
Que brilhem as estrelas,
e o sol faça luz no firmamento
e resplandeça novamente o amor!
Ele jamais morrerá,
jamais a vida pode existir sem amor
e os corações pulsarem sem ele.
Surgirá sim, Além, o fruto da vida,
a vida que se renova,
a vida que corre ao encontro do futuro,
a da esperança, a do amor.
As lágrimas então derramadas,
sejam seiva nas futuras primaveras,
onde renovenescerá o amor e a felicidade.

 Valdemar Muge

Saturday, October 22, 2016

A FOME


Nas esquinas do silêncio,
ouve-se as angústias da sobrevivência,
do abandono, da fome,
da humana decadência.
O triste ar da vergonha
paira nesses seres que o tempo lhes atraiçoou:
são as vidas que procuram trabalho;
são doentes que não encontram a saúde;
são vidas abandonadas que a sociedade lhes criou,
num desespero que o destino lhes traçou.
Quantos agora moram na envergonhada caridade;
outros, dormem nos degraus da miséria, da precaridade...

Oh, quanta desgraça humana camuflada
debaixo do manto da pobreza que por aí anda espalhada,
disfarçada, sem que ninguém a veja:
abri os olhos e os corações!...
e essas desgraças
vos surgirão dos escombros da miséria.
As migalhas que para quantos valor não tem,
para aqueles, os abandonados da generosidade,
será alimento à vida e ao amor!

Mas também quantos e tantos são,
que têm fome de amor, de afeto, de paz,
neste mundo tão conturbado,
que há quanto tempo os corações não sentem
o pulsar da alegria e da felicidade.
Como a fome anda disfarçada
nas esquinas dos envergonhados silêncios.
                                                                                 
Tenhamos a esperança que os aromas do amor,
se espalhe nos infelizes corações,
e as espigas de trigo,
renovenescidas da terra,

saciem as bocas famintas.

Valdemar muge