Saturday, February 27, 2021

DE ONDE SOU



                       

       DE ONDE SOU

Quereis saber de onde sou? -

Meu nome dirá tudo o que pretendeis saber:

Nele, está onde nasci, o que sou,

e porque canto este meu sentir que vos dou.

Sou da terra dum Vale De que o Mar deixou

para a beleza aqui florir, e sempre permanecer,

recheada de encanto á beira mar nascida.

 

Conforme a Lenda diz:

Foi de um desejo de Neptuno:

Do mar, fazer um vale para a sua amada Afrodite,

para que ela aqui sempre encontrasse o amor

e o partilhasse.

Da espuma bordada na areia,

transformou-a em flores para lhe embelezar;

da aragem enviada, a frescura para seu bem-estar;

da essência da vida,

os frutos para que nada lhe faltasse e ter;

do marejar das águas,

o embalo para com ela adormecer;

a Ria, em espelho de sonhos

onde a beleza feminina permanece,

e do seu pôr do sol, a beleza para lhe encantar!

Assim, nesta terra nascida que o mar doou,

o mar recuou e a terra floriu!

(e quando ao pôr do sol, no deleite das suas águas,

ele vem aqui,

segredar-lhe as saudades contidas de seu amor,)

onde sempre haverá flores para dar,

     alimento para saciar,

     encanto marinho para a todos abraçar.

 

     Meu nome, alberga o odor desta terra,

     a aragem deste mar,

     este ar que se respira,

     é sentir para meu cantar;

     o encanto que permanece nesta natureza,

     é seiva que corre para dar,

    é mar de sonhos de esperança para todos

    de fraternal concórdia para abraçar.

    Sou desta terra, sou deste mar,

    que vos quer, que vos estima,

    que sempre com vós está e vos quer amar.

 

     Valdemar Muge





Saturday, February 20, 2021

QUANDO...


 

                                   QUANDO...                                                                                                           Quando da fonte, a água vai,

                               parece melodia que se ouve que dela sai,

                               como se fosse hino à vida da natureza.

                               Este seu romper à luz do dia,

                               é vida que à vida começa

         ao som da sua melodia.

 

                               Quando o rio beija o mar,

                               há diálogos de encontro realizado.

                              Virá novos percursos, novas vivências...

                              dará alegrias, e quantas tristezas…

                              este é seu destino que o mar sempre fará:

                              marejará dons de ternura

                              e leitos de dor a quem a ele abraçar.

                              Pois assim será.      

 

 Quando o sol afaga e aquece a terra,

                               ouve-se o alegre canto das aves;

                               vê-se o brilho da natureza a desabrochar;

                               a vida se exalta nos corações, agradecida.

                               É mistério da vida que aparece

                               como mar imenso quão afável;

                               é alegria, é ternura de criança que agradece,

                               é felicidade nos seres que resplandece,

                               luz da vida, afago, carícia que a vida precisa.

                                                                            

                               É este sentir que extasia,

                               seja rio que vai, sol que me aquece,

                               ou chuva que me alimenta em gotículas caídas

                               que na face permanecem,

                               é esse o sangue da natureza que me fortalece.

   

                               Valdemar Muge



Sunday, January 24, 2021

QUANDO A BRISA VEM...


 

QUANDO A BRISA VEM...


Quando a brisa vem e me abraça...

me deixa a frescura das carícias das ondas

que a areia amaciou;

o afago do bailado que teve no arvoredo

por onde passou;
o som da melodia das aves que na sua vivência as embalou.
...e quanto mais me deixou, me deixou...
Pois se ela tinha afagado o renascer da natureza,
e a fresca água das fontes que dela corria
para saciar os secos lábios do dia;
se pelas manhãs, traz a frescura do renascer do dia,
e ao cair da tarde, murmúrios de silêncio de paz e amor,
de louvor á vida por mais um dia de abençoado crer:
razão esta, tão afável, deste sentir que me envolve e de o ter!

Quando a brisa vem..
e se envolve nesta terra que a todos acolhe;
das ruas com casas de azulejos coloridos, lindos,
e varandas rendilhadas, forjadas;
se suaviza os rostos com sorrisos de afeto,
e olhares da cor do mar deleitado,
 abençoada brisa esta,
 mensageira de vida e afago da natureza,
neste abraço fraternal de paz
que os corações ditosos esperam:
mistério este da vida, que ela nos traz.

 Valdemar Muge

CHUVA BENDITA


 

      CHUVA BENDITA

Que chuva esta que na rua cai,

que traz cheiros de rosas a desfolhar,

e brilhos do firmamento que dele sai?

- Parecem odores de quem está no céu,

e brilhos de estrelas que querem iluminar.

 

Que chuva esta de encanto seu,

que cai suave no peito de quem era teu...

será saudosas lágrimas ao coração meu,

e luz que me brilha de quem eu era teu?

 

Mas sim! Este manto lacrimoso que do céu vem,

são gotículas de afeto e amor de quem nos quer bem...

e eu, ao tê-las, oro agradecido a quem nos é querido

que na Paz Celestial nos quer e protege, de deles ter sido.

 

Mas esta chuva bendita, com este cheiro e brilho,

que parece pétalas de rosas que brilham, caindo

dum rosal celestial, esse sentir sempre quero ter cá...

e lá, me esperam benditas, que me acolherá florindo,

que me acolherá quantas pétalas... de amor que fará.

 

Valdemar Muge

Saturday, January 23, 2021

O INVERNO QUE VEM...


 

            O INVERNO QUE VEM...


O inverno vem, aproxima-se, quer estar presente.

Este tempo, traz a saudade primaveril dos teus sorrisos,

e do feliz encanto no teu olhar em cada manhã, de então;

a saudade da magia dos sonhos que fluíram para realizar e amar,

de quando do florescer das tuas jamais esquecidas primaveras.

 

A saudade de quando te confundias com as tuas flores;

te misturavas, airosa, com o afago do teu mar;

te deleitavas, romântica, ao pôr do sol, sonhando o futuro,

e nas auroras renascidas, agradecendo a vida de mais um dia,

porque era primavera e fazias parte dessa que então existia.

 

Nesse inverno que se aproxima...

Não importa não teres a alegria desses teus sorrisos de primavera,

mas tens os ternos e doces sorrisos de hoje, tão queridos,

os deste tempo de Outono, que também são belos;

não importa não teres a espontânea alegria da juventude,

mas tens a não menos querida felicidade do tempo que passa,

a que hoje abraça os nossos corações;

não importa não apanhares as flores da primavera,

mas tens dentro de ti,

o aroma de todas aquelas que as guardaste durante a vida:

de amor, de felicidade e paz,

para o espalhares por todos aqueles que te rodeiam e te estimam.

 

Não fiques triste, amor, por não estares nessa então primavera,

Pois esse teu Outono, também tem o seu encanto:

Não tem a beleza do renascer da natureza,

ou o calor do sol do verão que faz escaldar os corações,

mas tem o doce e suave brilho do dia

e o aconchego apaziguador do sol que te embala.

Tens a singela e sempre querida flor que te rodeia...

ela, é a primavera neste tempo presente,

em abraço de amor e paz,

porque quando as auroras do amor permanecem junto de nós,

as primaveras resplandecem junto dos corações;

e tens a ave que te quer e suavemente te afaga em cada dia

no aconchego carinhoso que te envolve…

porque ninguém há de corromper esse carinho até á morte,

assim será essa a dita e feliz sorte!


Valdemar Muge

 

Saturday, July 18, 2020

QUERO MAIS



Como queria ver nos rostos,
                               mais sorrisos e mais afetos partilhados,
                               porque tão poucos agora os vejo,
                               tão poucos os encontro e quanto os desejo.
                               Que bom se fosse possível,
                               a aragem de ternura e da felicidade
                               se envolvesse nos seres angustiados e infelizes:
                               pois como tantos são os que vejo nas ruas da solidão;
                               na juventude desorientada e viciada, perdida;
                               nos bairros que a pobreza prolifera
                               onde a escura nuvem encobre e amortalha
                               a angústia e a miséria.

                               Como queria mais sinceridade,
                               mais amor entre as pessoas!
                               Mas para onde teria ido tais virtudes?
                               Teria o vento as levado,
                               ou as águas do rio para o mar as navegado?
                               Angústia a minha, que não sei onde as encontrar...
                               pois quantas vezes elas são perdidas ou é roubado,
                               voa dos corações que não as conseguem guardar,
                               e em vez de amor, fica a triste desilusão a habitar.

Juntei um abraço de rosas de primavera,
                               porque a natureza deu-lhes a fragrância carinhosa
                               em forma de pétalas de sonhos e afetos de vida,
                               para as ofertar a toda a gente querida...
                               procurei as bocas com sorrisos de amizade
                               e com palavras de afetos e simpatia,
                               para deixar nos lábios o aroma da primavera,
                               polvilhando a doçura da ternura querida...
                               e quanto meu coração trouxe para espalhar                         
                               onde tanta carência habita e tanto amor falta dar.

Creio na vontade de haver mais amor nos corações,
mais alegria, mais carinho, e tudo isso sempre espalharei,
porque em tudo isso creio,
e porque amo, tudo isso quero partilhar!
Porque somos espírito de Deus, espírito do Amor,
nos caminhos da Verdade, da Justiça e da Vida,
dádivas para a todos ofertar.

Valdemar Muge 


Sunday, May 31, 2020

UMA TERRA PARA AMAR



Vem amigo,
juntemos-nos ao brilho da luz que se espalha nas pessoas:
com ele, abracemos com amizade os corações que passam,
verás então, como elas felizes nos enlaçam;
guardamos os afectuosos sorrisos das faces trigueiras
e do terno olhar de verde mar, das varinas que aqui habitam:
verás que seremos adejados com a alegria da felicidade encontrada.

Vem comigo,
pelo amanhecer de cada dia,
verás o encanto a renascer, a serenidade, a beleza desta terra:
ela tem o desabrochar das pétalas de sonhos
que os corações destas gentes brotam em cada olhar,
em cada sorriso que lhes vem e que recebemos;
tem a essência em cada gesto que sai da ternura,
do afecto, que dia a dia partilhamos;
da dádiva de amor em cada manhã que o sol nos aconchega,
em cada noite que as estrelas nos protegem, a alma iluminando.

                               Vem comigo!
                               Sentiremos o odor da aragem permanecida:
                               Viver aqui, tem-se a essência do mar nesta aragem
                               que ele nos sopra com o som das gaivotas, voando;
                               vem deliciar-te no quadro que a natureza criou junto á ria
                               onde povoam as imagens de sentido poético,
                               onde a lua se reflecte e o sol as águas acaricia, 
                               como uma magia;  
                               vem deliciar-te desta terra,
                               onde as flores têm o aroma da dádiva da amizade,
                               e os frutos, o cheiro do ardor do trabalho lavrado;
                               onde o cântico de Paz e da cordialidade ecoa,
                               e a Luz brilha aos olhos de quem anseia a felicidade.

Vem!                                                                                                                    vamos ver as flores desta terra que o amor faz desabrochar,                    e os frutos que as mão cansadas à terra semeou:                                      são raízes da minha terra que vos canto,                                                      que vos ofereço amando,                                                                                  porque outra não tenho,                                                                                    outra não sei amar, cantando.                                               
É a minha terra humana, na qual me deito                                                    e que tanto está dentro do meu peito. Ovar!

            Valdemar Muge





Saturday, May 16, 2020

GUARDO A ESPERANÇA


Guardo a esperança no peito,

de que o futuro me dará o tão esperado desejo:
De que a felicidade a todos há de voltar;
o receio de viver sem abraços, há de findar;
o fraternal convívio, há de chegar;
a união entre os povos, há de renascer;
ao maléfico inimigo,
a coragem e a tenacidade o há de vencer!

Guardo a esperança no coração,
para que haja uma flor de carinho em cada criança;
uma madrugada de afeto em cada ser;
Um sorriso sem máscara em cada face,
uma dádiva de amor em cada coração;
um novo mundo de paz, de felicidade,
de afeto em cada irmão.

Não fiquemos prisioneiros do mal,
da angústia, da dor,
venceremos os obstáculos encontrados
e libertemos para a alegria,
para a fraternidade, para o amor.
Esta esperança que dentro mim existe,
não a perderei,
porque sei,
que lá fora um sorriso para mim e para ti espera,
uma vida para abraçar e amar, que o futuro encerra.
A esperança de um Mundo que o Criador sempre ansiou.


 Valdemar Muge

Saturday, May 09, 2020

PEDIDO



Há tanto tempo já, no teu rosto,
encontrei o sorriso da simpatia, da felicidade, do amor.
No teu coração, a força do querer, de partilha, de amar.
Das tuas primaveras, ficaram-te as flores que tanto amas;
e das tuas tardes de Verão,
te ficou o sol que te ilumina e brilha, que a todos irradia.

Como esse teu encanto que em mim fascina:
Essa natureza e essa luz que te irradia,
ou essa felicidade querida que senti,                 
são elos queridos que o tempo não apaga e que perpétua.
Não deixes o orvalho das frescas manhãs do outono,
arrefecer esse calor que brota do teu coração,
e o inverno, murchar o aroma das rosas que saem do teu rosto,
porque então, meu coração sem rosas ficaria
e sem o teu calor, morreria.
Não me tires o teu sorriso que em mim vive,
e a tua doçura que em meu corpo se espalha:
É bálsamo, encanto que de ti veio,
pedaços de vida que te floresceu, e sem eles,
tu e eu, nossas vidas sem sentido ficariam.

Vem, continuemos a caminhada ao encontro das primaveras,
abraçando as pétalas das flores que amamos,
e aguardemos o encanto do outono que ainda nos espera;
Alimentamos a esperança que o futuro continuará a ser feliz
e o amor sempre se renovará;
as mágoas, as tristezas, essas se houverem,
serão esquecidas, perdoadas, para que não nos atropelem,
e assim, o amor sempre viverá.

Meu amor:
Vivamos com os nossos sorrisos nascidos das primaveras,
das auroras de cada dia,
do amor da vida passada e com ele o futuro,
e esperemos o outono na fresca aragem do nosso mar
e no cântico do rouxinol que sempre nos espera,
mas não me negues o teu sorriso, o teu encanto de felicidade,
porque sem eles, não sei o que de mim seria.
Lutaremos para que ninguém nos roube a felicidade encontrada,
porque essa, é a Luz que em nós sempre brilhará e é partilhada.

Valdemar Muge

TEMPO DE SILÊNCIO



Neste tempo de silêncio:
Não ouço as vozes do pregão,
nem vejo o homem que labuta,
nesta cidade que agora tristeceu.
O alegre brilho da rua escureceu,
onde vós, que então felizes a povoava...
agora, todos procuram, arautos da vida, anseiam,
lutam por uma luz que ilumine esse vazio obscuro,
para a renovação da vida na esperança do futuro.

Neste tempo que passa:
A tristeza imerge nos rostos sem o sol da praia triste,
e as águas do rio correm sombrias como nunca viste
sem gentes para lhes afagar,
e seu corpo lacrimoso, sozinho, lá vai chorando
por não ter ninguém para lhe cantar,
apenas é o vento vadio, que o leva embalado;

O marejar das águas do mar,
apenas sussurram com as gaivotas na praia vazia,
onde agora só mora a derradeira maresia
sem os alegres sorrisos que eram vividos,
sem abraços, sem beijos que então eram tidos;
Esses vossos rostos do silencio,
que tão alegres viviam… são como o meu:
dói-me esta tristeza que nas águas passa,
este ar que no coração o escurece e trespassa,
esta solidão que parece noites escuras
onde minha alma entristece deste sentir meu.
Agora, são sofridos, devaneiam dentro das paredes
á espera que na rua, o pregão ecoe com a alegria da vida;
que as portas se abram
para que a primavera floresça com todos povos, felizes,
se libertem nas ruas juntadas de rosmaninho desejado!

Este tempo de silêncio, continua
à espera que o grito da vitória apareça
contra o maléfico invisível que perdura.
A luta é árdua e persistente,
e a ansiedade nos corações está presente.
É tempo de lágrimas por aqueles que não venceram a luta
e a saudade fica-nos na memória da triste ausência.
Que se ouça novamente o canto da felicidade
e a alegria se espalhe nos rostos de todo o mundo,
e eles felizes,
iluminem os escuros dias deste tempo que passa,
e permaneça nos renovados abraços,
a fraternidade e aleluia dos povos!

Valdemar Muge

DOCE PRIMAVERA


DOCE PRIMAVERA

Mas que ar este que se respira,
                               que aqui mora, que me embala e consola!
                               Parece brisa com cântico de Primavera
                               ou suave bálsamo de alegre melodia;
                               bendita aragem que aqui passou,
                               para que esta frescura que aqui ficou,
                               seja este leve e doce aroma que se instalou.

Razão esta, desta essência que aqui se vive,
                               que faz nascer aromas em mim,
                               e afetos que o coração sente?
                               Agora, sei a causa que esta é:
                               são encantos que vêem de ti,
                               são aromas que não se vêem,
                               verdades que não mentem,
                               mas sei que os tenho,
                               e tanto eles se sentem em mim.

Porque será que as Primaveras
                               continuam a florir em mim
                               com afetos que resplandecem?
     - Mistérios da natureza, esses em fim.
     Agora sei que vêem de ti, esse espírito primaveril,
                               mesmo o tempo do Outono que amanhece
                               que não deixa de nos querer aparecer...
     São pétalas queridas que desfolhamos ao amanhecer
     e com elas, nos cobrimos ao anoitecer,
     num doce e meigo amor transparente.
                               Este bálsamo que nos encanta e aquece,
                               é porventura doce amor que jamais arrefece,
                               nesta cativa primavera que a música nos embala
                               em doce e eterna melodia que dentro de mim exala.

                    Valdemar Muge