Saturday, June 12, 2021

DAS MÃOS DO OLEIRO


                                DAS MÃOS DO OLEIRO...

As suas mãos, eram criação.

                               Delas, nascia a forma

                               simples da sua sensibilidade;

                               a arte manuseada da sentida inspiração;

                               a obra realizada da tradição de um povo.

 

Das suas formas, nasciam palavras que viveriam,

                               que abraçavam a água, a luz, a vida;

                               abraçavam o trabalho, o talento, o tempo;

                               corriam horizontes, 

                               deixavam ternura pela alma dentro.

                               Ele, meditava com as estrelas que criou;

                               sonhava nas noites que nelas se refugiou:

                               eram crepúsculos de uma vida que vivera.

 

Das suas formas, sentia-se o cantar da sua alegria,

                               e o amargor da sua dor:

                               eram o refúgio do seu sentir,

                               a herança deixada da sua existência.

                               Ele queria deixar nas suas formas de barro,

                               (a substância que sempre trabalhou,)

                               gravados os sentidos da arte, da paz e da ternura;

                               queria deixar o testemunho nas suas formas criadas,

                               a cor da luz, a imagem da alegria e da esperança,

                               o brilho do dia e o crepúsculo do anoitecer que sempre viu,

                               onde umas mãos sensíveis, podem idealizar vida,

                               podem transmitir amor que nele existiu.

 

Pudesse eu assim fazer nas palavras escritas;

                               pudesse assim ter umas mãos criadoras,

                               que o Criador nelas mostra a Sua sublime imagem.


                       Valdemar Muge

Tuesday, May 25, 2021

A TRISTEZA



                A TRISTEZA

Tristeza esta que me consome a alegria...

oh, saudosa alegria que agora é tristeza.

És solidão e dor que a saudade guarda,

mágoa que o coração sente e não sara.

 

A solidão, é companheira da tristeza,

como a alegria, é irmã da felicidade.

A noite, é companheira da solidão,

é o tempo silencioso das recordações,

esse sentir angustiante, é peregrina da saudade...

mas o renascer de cada dia, é alegre esperança,

é suave bálsamo para a tristeza quando se alcança.


Na vida, vamos aprendendo a vencer a nostalgia,

com sorrisos afetuosos, com o abraço amigo;

a desilusão, com a compreensão,

refletindo quem teria realmente razão;

a tristeza, ficará no baú das recordações,

se construirmos afetos repartidos,

aspergindo amor aos corações angustiados.

Duas essências da nossa vida, permanecerão:

 a alegria e a tristeza.

A alegria, que é a gratidão da nossa existência e o que somos;

a tristeza, a saudade de quanto de bom e querido perdemos.

 

Para todos nós, sempre ao Infinito, pedirei:

Venham, venham estrelas amigas, que nos protegem,

venham trazer o brilho da paz e a força do amor;

venham com a fraternidade e a esperança do sentir

de que todos sejam irmãos, seja de que raça for;

venham, venham iluminar os corações

com fé da felicidade e alegria de viver!

Que desapareça, assim, a iniquidade e o descrédito,

as guerras e a miséria,

os ódios e a cruel tristeza, 

essa tristeza minha, deste mal que o Mundo tem.

 

Que baixe Senhor, o vosso espírito,

e a Terra,

seja renovada com a Vossa alegria.


Valdemar Muge

Saturday, May 15, 2021

MEMÓRIAS

 


                

    MEMÓRIAS

               A ESPERANÇA

Há palavras que doem no coração,

e outras, nele, tão belas emoções o são.

Na vida, há palavras que vida dão, 

mas outras, nem vida, nem palavras serão.

Na caminhada da vida,

quantas ruas que palavras não têm:

são as ruas do silêncio,

as ruas da aragem da nostalgia,

onde há sempre alguém com um amor perdido,

desiludido,

sem que o possa encontra-lo...

mas há as ruas da esperança, do encontro,

onde haverá sempre um amor que nasce em cada manhã,

que nasce vida para viver o novo hoje, o amanhã.


Haverá sempre uma nova esperança que vem,

quando a esperança que era e agora já se não a tem.

 O tempo, dá vida á flor,

mas a vida é vencida pelo mesmo tempo

que vida deu, seja ela qual for.

Na existência da vida,

quantas esperanças se sonham, nascem,

florescem e se fortificam...

mas outras, quantas são desilusão,

quantas são paixão que morrem...

mas elas serão sempre a essência do viver,

porque sempre haverá uma esperança de um sonho

que desponta em cada aurora,

uma flor para a vida que desabrocha,

que nos espera, em cada madrugada.

 

Há corações com angústia


que a dor neles perdura:


são memórias que não se esquecem,


e que por vezes tanto permanecem,


duma vida que foi dura.


Há vozes que clamam a pobreza que no mundo prolifera,


e é dessas vozes, desse clamor,


dessa pobreza que a alma encerra,


que quantas vozes perecem para o silêncio do pó da terra.



.Na cidade, chove, e chove no meu coração,


pois nele, o sentir da alegria não existe,


quando na existência do desespero e da solidão,


vê-se na lama da chuva caída,


as pegadas de tanta podridão.


Mas há sempre, sempre, (e que sempre exista),


uma esperança, uma flor, uma alegria,


um afeto em cada ser, em cada vida, em cada dia,


para que as memórias não tenham dor,


mas tenham um sentido de fraternidade e amor. 




Valdemar Muge

 


Friday, May 07, 2021

MAIO DESEJADO


 

 MAIO DESEJADO... 

Olhai, como no mês de Maio, as águas das fontes

      nascem com mais alegria, jorrando.

                               Elas, nos rios, no murmulhar, cantam

                               á natureza que desabrocha, florindo.

 

       Observai, que o dia tem mais brilho e mais cor:

                                é luz do renascer da vida, é chegada de Amor.

                                Maio, é Primavera a florir que nos abraça;

                                é mês de Luz que nos protege e enlaça;

                                tempo de fé, que nos alimenta e enobrece;

                                é esperança de paz e de fraternidade desejada.

 

       Das flores que floresceram para mim e para ti,

                                as pétalas esvoaçam em bailados coloridos,

                                pousando no meu regaço, que as acolho em mim:

                                creio que serão as pétalas da alegria, da paz, do amor;

                                as pétalas da primavera dos sorrisos da amizade,

                                da fraternidade ansiada entre os povos:

                                guardamos este tempo nos corações,

                                e polvilharemos na vida, essa maravilha da natureza.

 

           Este Maio que então guardo,

                               é dádiva que para todos partilho,

                               porque é vida que de Ti, Senhor, também recebi;

                               é sentido da Tua existência aqui;

                               do Teu afeto que nos protege,

                               da Tua paz e amor que nos acarinha.

 

Valdemar Muge

Wednesday, April 28, 2021

SÃO ROSAS...

 


              SÃO ROSAS...

 Fui ao jardim para colher rosas, para te dar,

mas rosas ainda não tinham florido.

Só lá tinha amores-perfeitos, abrindo,

que te as trouxe com o sentir de te amar.

 

São rosas, amor, flor que mais gostas em ti sentir,

mas as que tens, as pétalas, já viçosas não estão.

Enquanto novas, no jardim, florindo não dão,

dar-te-ei as minhas que dentro de mim irão florir.

 

Mas, não te desesperes, amor, por rosas não teres,

porque se eu rosas no peito também ainda não tiver,

dar-te-ei do meu coração, o que sempre está a nascer:

tantos quantos afetos de amor, para teus olhos ver.

 

Entretanto, plantarei infindos jardins de rosas:

rosas brancas, daquelas que o amor não se apaga...

para que sempre as suas pétalas te afague a cara,

porque essas, são minhas e tuas, sempre serão nossas.

 

 Valdemar Muge

Tuesday, April 20, 2021

A MÚSICA QUE TE ENVOLVE

 


       A MUSICA QUE TE ENVOLVE

Quando leres as palavras que te escrevi,

sentirás nelas, quanta música por mim deixada;

têm as melodias que senti, que vi e sonhei para ti.

Elas, estavam em cada flor, em cada sorriso,

em cada gesto de ternura que vivi.

 

Essa música, que encontrarás nas palavras que leres,


veio da aragem que passa e sentes a segredar-te;

do nascer de cada dia que te acolhe, que te abraça…

a ouvirás, quando habitares a terra da música que te cantei.

Essa música que ouvires, escuta e guarda-a dentro de ti...


acarinha-a, porque tem o som das cristalinas águas das fontes;

o doce marejar das ondas

que sempre as espero, afagando-me, nas brancas areias da praia;

o hino de louvor do pescador nas águas do mar, orando,

e o pregão das varinas, a ecoar, cantando:

melodias essas, que também as guardei e com elas convivi.


Ela tem primaveras de esperança, de amor, de louvor á vida;

tem ternos outonos de poesia,

sonhos que passaram pela vida…

mas tantos mais eram que o vento os levou e me os tirou…

Essa tanta música que está nos versos,

são melodias da alegria de felicidade tida,

e, de tristeza da dor que então acontecia,

que sonhei e senti, nos silentes dias que vivi.

 

Oh! como ela voava, voava com as aves da minha terra,

em vaivém, abrindo horizontes que a natureza encerra,

(mas com elas não podia ir, porque asas não tinha, pudera);

ela corria com as crianças que felizes cantavam,

como feliz eu sentia, lembrando quando como elas, brincava;

como quanto aconchegava a dor do desespero e da pobreza,

essa dor que ecoava no sentir de angústia e tristeza,

que estavam enfim, nas calçadas das ruas da vida cotidiana.

É a música desta cidade, a música da minha terra,

a música que mais está gravada em mim,

a música da poesia sentida, querida,

que também, vós, a podereis encontrar, querendo

sonhando no aconchego da poesia como eu senti,

que vos escrevi e que sempre vivi!


Valdemar Muge

Thursday, April 15, 2021

AMANHÃ



                  AMANHÃ...

Amanhã viverei, se Deus assim quiser,

mas como queria amanhã então ver,

a vida humana deste mundo melhor ser!...

 

Amanhã queria ver,

a paz no irmão que inocente sofre;

queria ver as bocas de fome, com pão a comer.

Amanhã queria ver, manhãs de sorrisos de felicidade

nos rostos tristes angustiados,

e todos se abraçarem com sincera amizade.

 

Hoje, contigo, quero ir espalhar afetos de paz,

neste mundo tão conturbado e em aflição, que faz,

para amanhã, encontrar multidões de carinho,

e faces de sorrisos de simpatia em todos sem distinção.

Contigo, vamos desmascarar as injustiças e os corruptos,

as perseguições e as maldades;

criar saúde, e erguer cultura,

produzir trabalho, e clamar liberdade!

Construiremos hoje esse mundo novo,

sejamos os alicerces da concórdia,

para então amanhã, termos esses desejos realizados,

e desponte novas auroras com seres humanos

com mais fraternidade e retidão.

 

Seguiremos hoje com os passos da boa esperança,

com a mesma fé de Cristo Ressuscitado,

aquela fé que faz ver

de que é nosso irmão aquele doente que sofre,

e o desamparado das guerras, que súplica, que grita;

aquela criança sozinha sem amor, que órfã fica,

e a mãe que perde o filho sem que o possa salvar, a vida dar.

Hoje, cada um de nós, com espírito de renovação interior,

chegaremos a todos com a Misericórdia do Amor,

para então, amanhã, no novo dia esperado, renovado,

encontrar-mos as manhãs de uma nova vida de fraternidade.

 

Valdemar Muge 

Wednesday, April 14, 2021

AQUELA CRIANÇA



                                AQUELA CRIANÇA... 

           Percorres o tempo que procuravas,

                   e será esse o que mais ansiavas ter?

                   Nele, terás descoberto essa procura que idealizavas?    

                   Porque para alcançar a felicidade,

                   a procura não tem limites.

 

                   Lembras-te, que quando eras criança,

                   imaginavas que querias ir nas asas do vento

                   apanhar as estrelas que te iluminavam,

                   e com elas, brincar, com elas viver,

                   porque querias ter esse encanto luminoso

                   para brilhares nos teus futuros dias que irias ser.

                   Para quê mais isso ter? Se já eras doce ser

                   que iluminava os corações queridos, tidos.

 

       Como então querias desfolhar as nuvens,

                   para ver se tinham o que delas sonhavas,

                   porque além do que aqui tinhas, mais querias ver,

                   porque mais querias descobrir onde houvesse

                   mais rios de afeto, flores de doçura, rostos de felicidade.

                   Às águas dos rios de quando junto delas estavas,

                   querias que elas levassem para o mar,

                   as maldades e os ódios, devastadores da pureza,

                   (como se fosse possível!...),

                   para que só ficassem os puros corações

                   e todos serem amigos, e todos se amarem.

 

                   Pois, quando se é criança, desse inocente tempo,

                   os sonhos nascem como fontes de água jorrando,

                   e rouxinóis felizes cantando.

                   Querem ser como pombas livres no céu voando,

                   e ver novos rumos, novo querer, desejando.

                   Têm sonhos de poesia que desabrocham, florindo,

        porque criança, é fonte viva de poesia, nascendo.                                                                                                                

Hoje, estás com saudade desse tempo de criança,

de quando as flores te desabrochavam das mãos,

e os lábios afagavam as faces queridas;

que contavas estrelas, e voavas com o vento;

que desfolhavas nuvens, e sonhavas com a lua;

que saboreavas a doce felicidade,

e afagavas as brisas do amor

no aconchego da silenciosa paz.

Mas esse tempo de inocentes sonhos, longe vai.

 

Mas sonha sempre,

sonha como ainda fosses criança,

e sempre acredita

na esperança dos teus desejos sejam realizados,

porque enquanto houver sonhos,

a esperança nunca morrerá na vida,

ela é força da caminhada a percorrer.

 

Valdemar Muge 

Monday, April 12, 2021

QUANDO AS ESTRELAS BRILHAM




 

QUANDO AS ESTRELAS NOS BRILHAM 

Quando as estrelas nos brilham,

é sinal de felicidade que desce em nós,

é brilho de paz que quer permanecer entre os povos,

é estado de amor, afeto, carinho que sempre ansiamos,

é balsamo de felicidade na vida, que desejamos ter.

 

Quando as estrelas brilham nos nossos corações,

é sinal que a alegria da vida está presente, cantando;

a alegria que nos faz abraçar a natureza, agradecendo;

que nos faz amar os seres que nos rodeiam, estimando-os:

encantos estes, que descem dos céus, abençoando.

 

Quando elas me brilham e me procuram,

são mensageiras de saudosos afagos;

elas me seguem, me esperam Além.

Olho as estrelas desse infinito céu,

com a intuição de elas um dia me acolherem

nesses raios de Luz, de Amor infinito.

 

Agora sonho,

E deixem-me sonhar quando as estrelas me brilham;

quando a paz me permanece num silente amor;

quando essa suavidade na vida me acompanha,

amando-a, com este sentir que a poesia cria,

estes sonhos que a poesia… faz viver.

 

Valdemar Muge

Sunday, April 11, 2021

A VERDADE

 


                                A VERDADE

Nunca escondas a verdade,

ela sempre deve estar na razão da sentença justa e necessária.

 Poderá haver difíceis caminhos a percorrer para encontrar a verdade,

 mas essa, sempre estará no lugar certo.

 Só com a verdade, é que se consegue destruir a desesperada dúvida;

 Só com a verdade, se esclarece a causa do ódio e das injustiças;

 Só com a verdade, se solucionam o fim de guerras,

 das perseguições, das desavenças;

 só com a verdade, haverá paz, haverá Concórdia,

 porque ela faz parte da vida, está dentro de nós,

 nunca a deixemos perder, será nosso refúgio,

 razão da nossa existência.

 

 Valdemar Muge

 

Saturday, April 10, 2021

QUANDO APANHO O ORVALHO

 


      QUANDO APANHO O ORVALHO...

 

   Quando pelas manhãs, apanho as rosas de orvalho,

      trago-te as auroras perfumadas que despontam,

      porque essas,

      têm o aroma das pétalas adormecidas que esperas;

      apanho as estrelas orvalhadas das noites luminosas,

      as que têm o brilho transparente da candura

      para as depositar no teu coração,

      e aos teus olhos, esse encanto brilhar;

      apanho a fresca água orvalhada das fontes,

      essa pureza cristalina mesmo pouco que seja…

      nela, trago a frescura do renascer, 

      para os teu lábios saciar,

      que ansiosa me aguardas,

      para que me afagues, me acaricies, sorrindo.

 

      Pelas manhãs, quando sempre te trago o orvalho,

      aquele que tem o brilho das manhãs de amor,

      de afeto e de felicidade...

      o orvalho que alimenta a vida da fraternidade,

      arde em mim, o fulgor do amor, e da vida,

      onde essa chama sempre brilhará o espirito,

      sempre iluminará os dias solares amados,

      e as noites estrelares da poesia.

 

Inundados com o partilhado orvalho e os corações felizes,

polvilhamos os alegres dias de amor renovado.

Com o aroma das rosas orvalhadas,

ouviremos a cotovia;        

e com o brilho transparente das estrelas,

sonharemos a vida.

Assim, ficamos inundados na claridade do Amor,

que a alma se exaltará de alegria, cantando.


Valdemar Muge                              

Saturday, March 13, 2021

NÃO ESTOU SÓ


 

NÃO ESTOU SÓ 

Neste tempo de ruas vazias e tristes,

caminho no silêncio...

mas não estou só,

porque Ele, é minha amizade:

Caminho ao encontro do horizonte

de mistérios Divinos de quem sempre lá me espera,

de quem me abraçará e me deseja,

porque Ele, é o caminho do Criador.

 

Neste tempo de silêncio...

de caminho da expectativa para a purificação,

o vento me vem aconchegar

como doce e querer amar,

e o sol me acompanha em hino de louvor á vida,

nessa caminhada encetada.

Não estou só,

porque a ave do conforto me segue,

e com ela vou, vou neste silente percurso,

porque ela traz as pétalas da esperança

desse encontro esperado que terei.

Pelo caminho, vou vencendo as tentações maléficas,

porque essas, pertencem ao obscurantismo indesejado,

e, com a afabilidade possível,

vou deixando as sementes do amor,

daquelas que também na vida colhi,

aquelas que melhor podem nos corações florir

e melhores frutos dar, renovando a alegria da felicidade.

Irei ao encontro de novas primaveras, de novos sorrisos,

de novos abraços de Amor, onde não possa ódios existir.

 

Assim, sigo acompanhado da vida que sempre amei:

dos ternos sorrisos, das amizades queridas,

das vivências tidas de tristeza e de felicidade,

aquela que acredito que tudo isto é feito de Amor

e, Esse, sempre nos acompanha,

e sempre nos levará ao horizonte que se anseia,

porque nunca estamos sós.


Valdemar Muge

Saturday, March 06, 2021

MULHER



            ...MULHER

O que seria o Mundo, sem os teus abraços,

                          sem os teus sorrisos, sem a tua alegria?

                          -Seria com certeza, triste e sombrio,

                          e teu brilho na natureza não se via, Mulher!

 

Que seria dos dias, sem o teu afeto,

                          sem o teu carinho, sem o teu amor?

                          -Amargos e infelizes seriam,

                          sem felicidade e com dor, Mulher!

 

Que seria da vida sem a tua presença,

                          sem o teu renascer, sem o teu viver?

                          -Seria vida sem esperança, amargos sonhos,

                          vida em desilusão sem razão de ser, Mulher!

 

Contigo sim!:

                          Haverá a luz da esperança;

                          as rosas da primavera;

                          a alegria de viver;

                          a força do querer;

                         a doçura da felicidade de ser, Mulher!

                         Pois é no teu coração,

                         que cabe o mundo da alegria da amizade;

                         os dias do renascer do amor;

                         a vira da partilha do carinho,

                         e a construção da paz.

 

                   Valdemar Muge

Saturday, February 27, 2021

DE ONDE SOU



                       

       DE ONDE SOU

Quereis saber de onde sou? -

Meu nome dirá tudo o que pretendeis saber:

Nele, está onde nasci, o que sou,

e porque canto este meu sentir que vos dou.

Sou da terra dum Vale De que o Mar deixou

para a beleza aqui florir, e sempre permanecer,

recheada de encanto á beira mar nascida.

 

Conforme a Lenda diz:

Foi de um desejo de Neptuno:

Do mar, fazer um vale para a sua amada Afrodite,

para que ela aqui sempre encontrasse o amor

e o partilhasse.

Da espuma bordada na areia,

transformou-a em flores para lhe embelezar;

da aragem enviada, a frescura para seu bem-estar;

da essência da vida,

os frutos para que nada lhe faltasse e ter;

do marejar das águas,

o embalo para com ela adormecer;

a Ria, em espelho de sonhos

onde a beleza feminina permanece,

e do seu pôr do sol, a beleza para lhe encantar!

Assim, nesta terra nascida que o mar doou,

o mar recuou e a terra floriu!

(e quando ao pôr do sol, no deleite das suas águas,

ele vem aqui,

segredar-lhe as saudades contidas de seu amor,)

onde sempre haverá flores para dar,

     alimento para saciar,

     encanto marinho para a todos abraçar.

 

     Meu nome, alberga o odor desta terra,

     a aragem deste mar,

     este ar que se respira,

     é sentir para meu cantar;

     o encanto que permanece nesta natureza,

     é seiva que corre para dar,

    é mar de sonhos de esperança para todos

    de fraternal concórdia para abraçar.

    Sou desta terra, sou deste mar,

    que vos quer, que vos estima,

    que sempre com vós está e vos quer amar.

 

     Valdemar Muge