Saturday, August 18, 2012

ABRAÇO AO IMIGRANTE



Amigo imigrante, que para longe vais
à procura do que não tens!...
Irmãos que sofreis e amais,
lutais nessa dura vida que enfrentais!
Oh irmãos, tanta saudade que levais
de gente querida que aqui deixais;
esperança, fé e venturas vai em todos vós,
mas aqui fica a amargura e tristeza em todos nós.
Em vós, lágrimas que deslizam… são saudades;
em nós, abraços queridos… elos que não se quebram!
Sempre partem com a esperança que virão
e sempre com ansiedade de mostrar o que são!
Quantos lá ficam nessas terras longínquas…
tantas esperanças que se dissipam, tantas...
lágrimas em vão e se perderam.
Oh irmãos, tanto que lutais
e tanto que sofreis, por vezes em vão!
Porquê?
Vós que tendes coração,
e que também sabeis amar e rir!
Porquê?
Será que não podereis amar com os que cá ficam
e abraçar a alegria e carinho da nossa Pátria?
Vinde! Um abraço fraterno vos espera;
uma luz de esperança vos ilumina;
que a saudade desapareça com a vossa chegada
e a alegria flutua em nossos corações para sempre!
Abracemos todos os nossos queridos
e gritemos com alegria:
“Viva a paz e a esperança nesta Pátria
que aos filhos hoje acolhe!”


Valdemar Muge

Saturday, August 04, 2012

O SONHO DESEJADO


Quem não terá os seus ideais?
- Todos os têm.
Sonhos que querem e têm e vive-los também.
Eu os guardei:
Vivo no tempo das alegrias contidas,
da felicidade cantada na vida;
Vivo nas tristezas quão sofridas,
mágoas ocorridas na passagem desta lida;
Vivo no amor alcançado e dado,
tempo de felicidade que tanto desejamos;
Vivo na madrugada da paz que queremos,
essência que procuramos e amamos;
Vivo na liberdade que meu coração criou,
num mundo melhor que meu ser amou.

Sou eco das vozes que criei
à natureza e que tanto amei;
Sou Luz querida que iluminei
nas noites escuras da desilusão que levei;
Sou voz das dores dilaceradas que difundi,
chagas pungentes que em meus versos senti e vi;
Sou esperança criada para todos os povos,
nos versos criados aos inconformados que somos.
Eis o navegador cheio de sonhos imutáveis,
do mundo este sentido, que comigo vedes.
Grandeza é no que queremos e somos,
em alcançarmos aquilo em que sempre sonhamos.


Valdemar Muge

Friday, July 27, 2012

IDEAR

Para quê,
inflamar o ser de cada um?
Cada qual é aquilo que é
o que a si próprio vê.

Quanto mais vejo os seres que por mim passam
disfarçados na roupagem que usam,(são tantos...)
mais embaciado fica o brilho da sinceridade,
no cruel disfarce da máscara da falsidade.
Palavras ornadas que engraçam,
como quão bonitas iludem,
é beleza exterior que disfarça,
quantas pervertidas o são, que infundem.

Para quê?
Sonhos e ilusões a quanto obrigas,
muitos deles vivem nas cantigas...
mas na realidade ninguém os vê.

Cada qual cria e vive o seu mundo,
seja o desejoso humanizante ou o abjecto imundo,
semeando as sementes que quer e tem,
colhendo pois, os ambiciosos frutos que vem.
Cada qual quer o mundo que mais idealizou
e procura na existência o que mais quis e lutou:
uns, para mostrar o que valem e tem,
outros, para mostrar que são superiores a alguém.
Nesta efémera vida, quantos desejos prosperam:
alguns, flúem na essência, outros pereceram...
tanto esforço para a obtenção das suas intenções, porém,
todas ficam no pó sepulcral de aquém.

        
Valdemar Muge

Sunday, July 22, 2012

QUE SOU



Que sou eu?
- Não sabes, também não sei.
Mas sei que viajo no tempo que passa,
 no tempo Solar;
meus passos percorrem a terra de onde serei,
nas areias que em tempos saíram deste mar.

Neste exílio estrelar que a noite me afaga;
neste labirinto solar que envolve meu viver,
as aragens me segredam à memória:
que sou desta terra e deste mar, que me fez ser.

Sou terra e mar, que nasce e se consome,
sou desta terra que do mar nasceu;
sou deste mar que esta terra deu;
sou terra e mar, que fez homem e viveu.


Valdemar Muge

Saturday, July 07, 2012

ENCONTRO



Procurei-te por tão longe, amor,
e afinal tão perto de mim estavas;
tanto procurei a ternura e a felicidade
e ela ao encontro me veio, é verdade!

Como estava ávido da luz que propaga
no doce olhar feminino de uma carícia;
na lágrima do amor que suavemente desliza
entre dois corpos queridos que se afagam;
sentir a respiração, doce e com ardor,
da alegria, da vida, do amor!
Já não importa ser pássaro, água ou brisa,
tudo corri para te encontrar, tamanha liça!
Agora, somos dois seres que se querem,
ao encontro vieram e junto felizes serem.
Sei que encontrei o fruto prometido;
a água para saciar o coração fumegante;
a musa para a canção adormecida, errante.
Encontrei a semente para o pão desta vida,
na mesa, juntos, saborearmos a fruta tida.

Enfim, encontrei a flor que ainda desabrocha,
pois ela brota o afago do coração, como rosa;
encontrei os sonhos acalentados de amor,
no orvalho da manhã, vindos daquela flor.

O pássaro da solidão já longe voa, fugindo,
e a alegria do rouxinol, canta aos corações, vindo;
é a nova esperança que flutua com o amor
de dois seres confiantes no futuro promissor.


Valdemar Muge


Saturday, June 30, 2012

RECORDANDO



Eis a juventude ansiosa,
peregrina, à procura da ternura.

Procuro a juventude da alegria, da esperança, do amor:
Deslizo no leito das águas da fonte da vida,
onde meu desejo possa morar e não o encontro...
pelo caminho, fica o fresco duma paisagem,
o perfume da flor que esteve e foi com a aragem.
Embarco no raiar do sol que me possa iluminar,
cheio de esperança, ao encontro do teu suave afago,
mas apenas encontro o frio olhar e coração amargo;
encontro ténue calor no baço reflexo da luz
sem a chama que procuro, a que me propus.
Sou pássaro que flutuo no vento:
Percorro à procura do ninho do amor…
comigo, levo venturas e ideais,
sonhos e promessas que possa dar;
levo um coração ansioso de sorrisos e afectos,
de quanto o amor possa fluir;
pássaro cativo, desejoso da juventude
abraçar a alegria da vida e ventura do amor.

Oh juventude, te vejo fugir e não mais voltar:
Vejo-te na rua quando passas e nada dar.
Sonhos criados, meus passados,
já tantos foram derramados…

Resta levar na alma tudo o que percorri
com a saudade, os sonhos que desenvolvi;
resta a serena aragem, mais tranquila,
            que corre no pomar da vida que usufruímos,
           e sentir o sabor da fruta madura apetitosa...
           porque nela, está o encanto da seiva amorosa.

           
Valdemar Muge          

Saturday, June 23, 2012

OS TEUS VERSOS



Queres ler os versos que te fiz, amor?
Queres os teus e só teus, bem sei;
ler aquele amor que tanto te falei;
o nosso, a chama querida, fruto e louvor.

Procuras os teus versos, perguntas onde?
Procuras as palavras coloridas, sentidas;
declarações amorosas que te sejam queridas,
e ainda não as viste, onde elas se escondem?...

Vês versos em toda a parte, bem sei!
Vês sobre as flores, nos rios, nos campos;
vês sobre as crianças, nas mulheres, no amor;
em tudo à tua volta, nos versos que criei.

Não vês só os teus, os que queres receber…
pois tão perto de ti estão, e só teus são;
procura-os no meu coração, aqui os vês…
pois guardados estão para ti, enquanto eu viver.

Escuta-o, que ele te fala suavemente;
te segreda o amor e carinho que te dedica.
Quanto maior for o nosso afecto, maior fica
a chama querida que arde eternamente.

Valdemar Muge

Saturday, June 16, 2012

ARAGEM



Tu me segredas os encantos
de onde vens;
me afagas com a suavidade
de onde a trouxeste;
trazes o espelho das águas
por onde passaste;
quanto bálsamo dás
e sempre mais quanto tens!

Mas também me lembras,
esse mar cruel que tantos sofreram...
aquele de onde muitos vivem
e a vida que muitos te deram.
Aragem que me envolve,
não me tragas mais lágrimas e dores,
porque essas,  já aqui muitas vezes passaram,
são recordações tristes que já ficaram.

Aragem, vem!
Contigo, suave e doce,
quero envolver-me na carícia da manhã;
no quente repouso do calor da tarde;
no declinar do dia que nas aguas espelham;
na serena noite que tranquilamente em ti debruça
e na paz que também sabes oferecer para inspirada musa!

Valdemar Muge




Saturday, June 09, 2012

ONDE ESTÁ MEU CORAÇÃO?



Onde está meu coração?! Onde?...
- Ali! Na ternura para aquela criança;
no afago para o necessitado;
no carinho para o idoso!

Procuro-o...
e também encontro quanto retalhado
naquelas crianças com fome;
no sofrimento do nosso irmão;
na crueldade das guerras que tantos levam;
nos ódios e injustiças que se geram,
e na insensata juventude que se destroça!

Enfim...
Mas como sempre te encontro:
no terno e querido beijo dado;
no nosso ente sempre amado;
no amor que se dá livremente;
na liberdade e na justiça, finalmente!

Agora...
               sei como encontrar meu coração!
Sei que está na felicidade de todos vós;
na alegria de todas as crianças, até ao mais velho;
na paz dos filhos, dos pais e dos avós;
na comunicação com Deus;
na força da vida de que desejamos!

Sempre mais coração terei,
        mais tenho para repartir e mais ficarei!


Valdemar Muge

Saturday, June 02, 2012

ONDE ESTÃO AS VOSES



                 ONDE ESTÃO AS VOZES
das alegrias espalhadas nos olhares abraçados?
Nos quentes sois
que as almas felizes cantavam
e nas iluminadas luas,
                  os corações embalados, ouvindo, sonhavam...

Onde estão?...

Onde estão as vozes
que os ventos que minha voz para longe levavam?
Das fontes que agora só lágrimas choram,
(são saudades que deslizam e que moram)
e deste mar que as nuvens sequiosas lhe beija
num namoro fugaz, mas que deseja...

 Onde estão'...  

Onde estão as vozes da felicidade?!
Porquê, que vejo flores tristes
e sangues nos charcos apodrecidos
do vício e da miséria impregnada?
Porquê, que vejo céus escuros
nos sem abrigos e nos mendigos padecidos!
Porquê?... Que vejo as esperanças perdidas
dos desejosos duma vida renovada, querida...

Chorar, para quê?
                                                                                          
As lágrimas já quase não brotam
e os corações se cansaram;
A Natureza quase não canta, entristeceu...
                                                                                                          
Vós Poetas!
Construtores dos desejos nas terras iluminadas
e nos astros da concórdia, em vós espalhados,
sejais os Arautos dos Tempos prometidos
e das felizes manhãs a desabrochar nos corações!
Então, clamem vossas vozes,                                          
dando alegria à Natureza, porque ela ainda não morreu!

Juntos, sairemos dos desertos adormecidos
e dos charcos impregnados da incúria,
e vamos dar voz à Sobrevivência do amor!

Mataremos a sede a esta Terra ressequida
e as verdejantes realidades florescerão das esperanças!

As nuvens de cinzas então espalhadas,
se dissipem nos confins subterrâneos da destruição
e as Auroras renascidas,
tragam as vozes anunciadoras
da felicidade por todos desejada!
                

               Valdemar Muge

Sunday, May 27, 2012

PALAVRAS















No campo do tempo vivido,
lancei palavras, sementes à vida
que por mim passou e para a que virá.

Palavras quantas, algumas frutos brotaram...
outras mais secas, menos fecundas,
sementes perdidas e fruto não deram.

Palavras, palavras, palavras quantas:
foram mensagens de paz e concórdia;
foram de amor para todos ente queridos;
foram de saudade às almas que não já via.

Palavras de alegria e felicidade, quantas;
de tristeza que do coração transbordava:
são revelações desta vida, tantas...
É a essência que fala, que sente, que se eleva
em palavras, palavras tantas.

Valdemar Muge

Saturday, May 19, 2012

SABER ESPERAR



Saber esperar que o raiar das auroras
traga a esperança
da alegria aos desanimados,
será desejoso despertar em cada dia,
                  querendo.

Saber esperar que nos frívolos corações
resplandeça a Luz
do amor e da concórdia,
será ansioso nascimento na vida de cada um,
bem-vindo.

Saber esperar que em todos os seres
reine a tão maravilhosa
felicidade e  paz,
será imenso hino que se poderia cantar,
querido.

Saber esperar: é doçura e encanto do bem saber;
é prudência a renascer em cada dia nos corações.


Valdemar Muge

Saturday, May 12, 2012

SAUDADES



Que saudades tenho da Natureza
que não vi e que não percorri!
Saudades mais vou ficar,
quando não mais a poderei desfrutar...                                                        
Essa, que sempre quis amar!
Quando eu aqui não estiver,
irei no vento, flutuar por aí,
para respirar o mar que não vi;
irei deslizar na suave aragem,
refrescando os verdejantes campos que não respirei
e as montanhas sinuosas que não avistei.
Irei no pássaro da paz,
abraçar a Natureza com que sempre sonhei;
irei num raio de luz
afagar os corações queridos
que sempre amei.
Voarei feliz, ao encontro da paz
e com a paz,
que sempre desejei.

Valdemar Muge

Saturday, May 05, 2012

MÃE






        
        Já não tenho os teus sorrisos,
já não tenho
os meigos e ternos carinhos;
os teus doces beijinhos
como tu
só sabias dar,
como tu
sabias amar.

Já não tenho
teu doce coração...
hoje, saudade,
nostálgica recordação.

Já não tenho
tuas singelas palavras...
aconselhavas,
as davas;
como eram gravadas dentro de mim,
como as ouvia
e as seguia e queria.

Já não tenho
as tuas suaves mãos
de trabalho e amor,
de prece e dor,
que indicava o caminho a seguir
na vida para a vida prosseguir.
Já não tenho
                 o teu olhar,
                 quão triste que a vida te brotou...
                 quantas lágrimas te beijo
e regaços de ternuras
teu coração espalhou.                                                           
                                                                                                          
Como tudo soubeste dar
para que sempre te soubesse amar.
Agora, já não te tenho,
contigo levaste o gélido rosto que vi...
mas não levaste
o rosto que cá ficou,
gravado no filho que sou:
o da candura e amor.
Esse, tem o maior valor
dentro deste coração
que sempre, sempre te amou.

Agora,
no rosto,
as lágrimas da saudade
caem...
caem por ti
Mãe...

Mãe.


                   Valdemar Muge 

Saturday, April 28, 2012

SEMPRE



Caminho contigo nas manhãs que despontam,
abraçando o brilho  das auroras que nos chamam.
Nelas, acordamos com o fresco orvalho da noite;
com os corpos afagados na carícia do amor;
com as mãos a erguerem-se para a luz do futuro;
com os corações dispostos à ansiedade da vida.
Sempre caminharei!

Não só na juventude se encontra a alegria,
mas na felicidade que se conquista na vida;
não só na juventude reside e floresce o amor,
mas em todos nós quando o carinho espalhamos.
Nossas mãos, apanham a carícia da tranquilidade
e folheiam as paginas da transparência e da sinceridade;
da boca, sai a doce sílaba do amor,
da compreensão, mesmo quando haja dor;
dos corações, pulsa o desejo da felicidade
nos caminhos a percorrer, guiados pela luz do amor!
Sempre, sempre, eis a verdade!

Sempre com o amor!:
Eis o grito que ecoa no vento que passa;
no mar que se debruça nestes corpos acordados;
na aragem que suaviza os corações que amor brotam;
no dia que desponta e confiamos para a vida,
e na tranquila noite de paz que desejamos querida.
Sempre estará presente o beijo que matinal desponta;
sempre estará o abraço do afecto que se entrega
e se deseja, da paz, da concórdia, do amor;
sempre estará, sempre, a seiva do amor que perdura.
Sempre estará!

Sempre há na vida, um lugar para o amor,
quando a esperança sobrevive à desdita


Valdemar Muge