Friday, July 27, 2012

IDEAR

Para quê,
inflamar o ser de cada um?
Cada qual é aquilo que é
o que a si próprio vê.

Quanto mais vejo os seres que por mim passam
disfarçados na roupagem que usam,(são tantos...)
mais embaciado fica o brilho da sinceridade,
no cruel disfarce da máscara da falsidade.
Palavras ornadas que engraçam,
como quão bonitas iludem,
é beleza exterior que disfarça,
quantas pervertidas o são, que infundem.

Para quê?
Sonhos e ilusões a quanto obrigas,
muitos deles vivem nas cantigas...
mas na realidade ninguém os vê.

Cada qual cria e vive o seu mundo,
seja o desejoso humanizante ou o abjecto imundo,
semeando as sementes que quer e tem,
colhendo pois, os ambiciosos frutos que vem.
Cada qual quer o mundo que mais idealizou
e procura na existência o que mais quis e lutou:
uns, para mostrar o que valem e tem,
outros, para mostrar que são superiores a alguém.
Nesta efémera vida, quantos desejos prosperam:
alguns, flúem na essência, outros pereceram...
tanto esforço para a obtenção das suas intenções, porém,
todas ficam no pó sepulcral de aquém.

        
Valdemar Muge

2 comments:

rosa-branca said...

Olá amigo, completamente de acordo. Cada qual é como é e faz a vida à sua maneira. De nada vale o exibicionismo, o orgulho a altivez, pois no fundo somos todos o mesmo. Lá dizia o poeta ANTÓNIO ALEIXO e com muita razão. Beijos com carinho

Eu não sei porque razão
Certos homens a meu ver
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.

ANTÓNIO ALEIXO.

Anonymous said...

Um poema vigoroso, Valdemar.Gostei muito desse pulso firme de quem escreve com o coração e a razão em perfeita sintonia.

Um beijo, querido e um lindo fds.