Sunday, April 07, 2024

TANTO ESPEREI PELA PRIMAVERA


 

TANTO ESPEREI PELA PRIMAVERA

 

Tanto esperei pela primavera, com tanto anseio,

dela ter o encanto de ver tudo a florescer;

de abraçar a sua nova vida, do renascer;

do florescer da contínua esperança

da igualdade, da justiça, da fraternidade;

e de ouvir o canto da cotovia a anunciar a felicidade...

mas como essa presença foi breve,

a minha primavera depressa se despediu e me fugiu,

e esse anseio se diluiu em mar de desilusão,

e tão pouco a amei, de realidade passou para ilusão.

 

Então, me chegou o prometido verão,

o acolhi para jumtos permanecermos,

para viver essa natureza de luz,

esse possuir do tempo da sua vida,

essa dança das espigas do trigo maduro,

o cantar da água que nos corpos refresca,

e a alegria nos corações das chegadas do que era saudade...

tudo isso ter, tudo isso queria no meu viver,

mas destino da vida este, de mim se cansou...

bem parou, me abraçou, mas também não ficou.

 

Que venha o outono, esse terno companheiro,

esse eterno poeta, esse eterno pintor.

Que me venha abraçar com o seu encanto colorido,

e o embalo do vento sonhador.

Que me venha com a sua dança das folhas aguareladas

e a melodia da brisa que nelas passa embalada,

essa poesia que nos faz cantar e sonhar;

esse tempo que nos passa na vida

que nos faz querer tanto amar.

Destino este que a vida tem...

também breve foi, passou e não mais me vem..

quando pensamos o que amamos não nos deixa,

é curta a vivência, nos foge e nos deixa sem a ter.

Deixou a saudade gravada no peito para que sempre a amasse.

Tinha o tempo marcado, para que o inverno chegasse.

 

E o prometido é devido.

O inverno bem me trouxe essa chuva,

esse frio que não aquece os corações,

esse aproximar fim da vida que a vida tem,

e com tanta vida ainda para amar, que já não vem,

porque amar é viver, alma sublime de ser,

sem amar o que será de mim, o que será de ti?

- um pobre ser, um triste viver!

Esse, não nos deixa facilmente:

Aconchega-se até que um dia com ele,

seguiremos no vento chuvoso e frio

para os infinitos horizontes desconhecidos.

 

Na nossa existência, muito tivemos

e pouco guardamos para a vida além.

Como são passageira as acontecidas vivências,

pois elas pertencem a cada tempo da sua existência.

E assim, o vento que passava, perdidas, quanto levava:

levou quantas pétalas da primavera ansiada,

da esperança aguardada, que foi iludida,

do cântico da alegria a anunciar a paz,

mas também deixou o sentido da sabedoria encontrada...

mas talvez noutra vida, terei essas ausências de hoje,

se assim for, as guardarei para um dia as partilhar.

Entretanto, outro vento virá, a natureza assim o faz,

esse traz-nos a saudade do que foi e que não volta a traz,

essa vida adormecida onde não houve sonhos e quanta perdi,

dessa quanta que não vivi e que não vi.

E aquela flor que tanto a cantei, saudosa comigo a levarei,

mas outras virão, que outras vozes as cantarão.

 

 

A vida que tivemos, a existência que nos foi dada,

essa sim, foi nossa enquanto a soubemos sonhar e amar,

se sempre assim fizéssemos valerá imenso a nossa existência,

porque quando então não mais podermos caminhar

neste peregrinar, tudo será ausência,

tudo será saudade...

 

Valdemar Muge

Friday, March 15, 2024

TEUS OLHOS TRISTES


 

TEUS OLHOS TRISTES

 

Teus olhos tristes, mostram o desanimo

na saudade do tempo que viveste,

e nas quantas tristes horas que perdeste.

Hoje, te olhas, e vês como o tempo te passou,

essa mulher que eras, e quanto amou,

que corria como o vento,

que abraçava como o sol,

que tudo amava como a ansiedade;

esse teu tempo, muito foi para outros,

para esse alguém que então o precisava,

agora, essa mulher, hoje, é saudade, ela jamais voltou.

 

Poderás pensar que o tempo que depressa te passou,

mas tiveste aquele que também tanto te amou;

tiveste quantos instantes de felicidade,

de alegria, de amor;

tivestes quantos silêncios de paz e de tristeza.

As lágrimas foram teu desabafo

e a face as enxugaram, vencendo;

os sorrisos te nasciam da face,

e fluíam nos corações da paz,da alegria, da felicidade!

 

Não desanimes, tiveste o teu tempo que para ti nasceu...

abraçaste-o conforme soubeste;

darás graças ao que tiveste,

esse, era o que te estava destinado ser.

Aquele que deste a outros, te ficará de sublime satisfação,

terás recompensa um dia, dessa nobre ação.

 

A caminhada, ainda não terminaste,

e ainda tens muito do teu tempo para o abraçar,

porque ainda não encontraste todos os afetos;

todos os sorrisos de amizade e carinho,

e os encontros de paz e amor.

Caminha, e encontrarás o horizonte que te espera,

esse, que idealizaste de paz e alegria.

 

 Valdemar Muge

Friday, March 08, 2024

QUE FELICIDADE ESTA


 

QUE FELICIDADE ESTA

 

Que felicidade esta,

termos um sol que nos aquece,

que nos abraça, nos protege;

termos a água que nos dá vida,

nos alimenta, nos sacia;

o mar, que fecunda a natureza,

força da vida, fonte de alimento e beleza;

o ar, a terra, a germinação para a sobrevivência,

este mundo para nós tão perfeito nesta sua essência.

 

Mas também quanta tristeza esta,

que ingratidão infinda,

o ser humano, e quantos são ainda!

na ânsia da sobrevivência iguista,

essa beleza que para si foi oferecida,

essa harmonia da natureza,

esse equilíbrio fundamental da essência,

a assacina, a corrói, a destrói

em guerras e exploração desumana!

 

O mundo chora ao ver que é destruído,

e esses auto-destruidores

mal sabem que se estão a destruir a eles.

Os corações são-lhes insensíveis,

porque as lágrimas derramadas dos inocentes

não são capazes de chegarem aos seus maléficos corações.

 

Valdemar Muge

Thursday, March 07, 2024

O TEMPO ME TROUXE


 

O TEMPO ME TROUXE

 

O tempo me trouxe.

e o tempo me levará;

ele passa, e como depressa me passou ...

com ele, vão quantas amizades que a morte as levou.

 

Velhos amigos, desse tempo de mocidade,

tempos felizes de quando dessa primavera,

a alegria fluía, os sonhos nasciam, tudo era...

agora, são saudades desse tempo que já lá vai,

são nostalgia das memórias que do coração sai.

Agora, com a saudade de quem vai,

a tristeza aqui fica num coração sentido,

e uma lágrima no húmido rosto vai caindo.

 

Nos silêncios de cada amizade,

nascem as rosas brancas da saudade ...

delas, ficam as pétalas de gratidão dentro de mim,

dessas recordações amigas sem fim.

 

Mas afinal, novo tempo para outros, vai chegando,

mas para mim vai passando, vai despedindo,

para em escura noite nos tornarmos em pó, nessa partida,

mas com a esperança dessa noite vir a alvorada desejada.

 

Valdemar Muge

Saturday, March 02, 2024

QUANDO A BRISA PASSA



 QUANDO A BRISA PASSA

Quando a brisa passa neste silêncio que me abraça,

neste esvoaçar do tempo de recordações e de saudades,

ouço ténue eco que me deixa em segredo,

que me faz lembrar e invade o pensamento,

me faz parecer aquilo que era e agora não é,

aquele saudoso e amado pregão,

essa melodia da varina quando na rua percorria,

esse cantar nascido da gente do mar de então,

desse mar que me faz recordar na brisa que passa,

esse encanto, essa graça nas ruas, da varina descalça.

 

Esse sentir que me aconchega,

 será saudade ou tristeza que me chega

de agora não as ter para ouvir, para delicia;

as que registe às amarguras da vida e do mar,

eram essas, quando as tinha na rua,

nos olhares. e no seu castiço diálogo de ser...

e o mar me traz essa saudade para a ter,

e as ruas, agora, me fazem alma nua.

 

E a brisa me traz o som do mar,

me recorda quando no turbilhão das ondas,

na conquista da fauna,

esse pescador das águas desta terra, desta praia, da rua,

esse, que no mar lhes vem a força, esse ânimo, essa luta,

que o mar lhes enaltece a vida,

o mar ouve sua voz, essa voz que ecoa no tempo,

que o tempo a leva e volta com o vento.

E nesse tempo ficaram as  marcas no chão,

ficaram das caminhadas, as tristezas,

as alegrias das suas vidas, das suas paixões...

e no silêncio da brisa que do seu mar vem,

corre o eco do hino do seu louvor,

e do pregão da graciosidade das varinas de então.


E nesta brisa de saudade, neste sol de amizade,

neste tempo de recordar, neste sentir querido,

acarinhando os rostos de quem já foi,

enxugando as lágrimas de quem também chorou,

e as alegrias que a vida lhes proporcionou,

fico neste silêncio com minha alma em sublime elevação

de quanta grandeza existiu nesta terra das varinas

que sempre se recordarão.

 

Valdemar Muge

Friday, March 01, 2024

RECORDAÇÃO


RECORDAÇÃO

 

Hoje, nessa tua fotografia que guardo, no tempo de 

a saudade nela cai,

e dos meus olhos com lágrimas, a nostalgia sai,

mas teu carinho, esse, no coração, continua encerrado.

Esse teu rosto que em mim guardo,

sempre terá o encanto da doce ternura,

dessa quanta sublime alma pura,

e de quanto afeto por ti dado.

A luz dos teus olhos, é minha saudade,

minha guia, e a sempre presença da tua amizade.

O doce sorriso do teu rosto, é minha nostalgia,

neste mar de saudade que em mim trago,

mas nele, sempre serás minha eterna guia.

 

Na triste e clara madrugada,

dessa noite de despedida,

uma lágrima deslizou, essa derradeira lágrima

que no teu rosto caiu...

e a luz dos teus olhos, em ti, para sempre se apagou,

para sempre, dessa tua alma, que sempre me amou.

 

Obrigado por me teres dado a vida e crescer o amor.

 

Valdemar Muge

Thursday, February 29, 2024

NESTAS RUAS...


 

NESTAS RUAS ...


Nestas ruas por onde caminho,

destas da minha cidade, da minha terra,

onde o sol vem dar brilho a quem nelas passa,

vem deixar o afago da luz a quem o abraça,

e a lua vem embala os sonhadores do amor,

há quanto encanto vivo, que outro não seria,

da beleza das mulheres desta cidade:

que trazem nos olhos, o brilho solar da simpatia,

no seu doce olhar que flui, da sua cor de mel;

no rosto, o sorriso da ternura, da cordialidade;

no coração, a afável e sincera bondade,

e o corpo, oh! esse, é como flor bela da natureza.

 

E quantas que passam, morenas e sadias...

pois essas são as mulheres da beira-ria,

que nos olhos têm o brilho do luar nas águas da ria,

e no espírito, a alegria, cantando a simpatia

e a abnegação do trabalho da sua terra, da sua vida.

 

Passam as que têm as formas ondoladas das ondas do mar...

porque essas, são as jamais igualadas da beira-mar:

trazem o verde-mar nos olhos,

e o iodo na pele rosada;

passam leves, até parecem que deslizam como a espuma...

envoltas com a brisa, passam... 

e passam com o salgado esvoaçado nos soltos cabelos;

e o marejar do mar nas palavras,

e nos sentidos das suas vidas

 

E quantas também passam, airosas, correndo,

não menos vistosas que outras, não menos elogiadas,

de pele queimada, de rugas duras da vida;

mãos calejadas e olhos da cor do trigo maduro:

são as trabalhadoras do campo, essa vida tida,

as amarguradas da terra, as escravas do pão

que esta terra dá,

porque desta terra também são mulheres de cá.

 

Elas passam, vão percorrendo os seus caminhos da vida,

levam os seus sonhos, as suas canseiras, as suas paixões;

levam a esperança da paz, da felicidade, do amor;

levam o cumprimento do trabalho, da cordialidade;

guardam as emoções da alegria vivida, da amizade;

mas também suportam a dor sentida, a ausência, a infelicidade.

Mulheres vivas destas ruas, desta terra sua,

construtoras da vida e alma querida.

 

Valdemar Muge

Tuesday, January 16, 2024

A PROCURA


A PROCURA

 

Procurei e não te encontrei,

como me fugiste e não te vi...

voaste sem mim, não te sei encontrar,

voltar atrás, impossível esse viver em mim.

 

Procurei o tempo que não vivi,

procurei os anos que não os vi,

não encontrei esse tempo ausente, perdido,

saudades de quanto então perdi.

 

Quem me levou o tempo de sorrisos, de alegria,

quem me levou o tempo que seria meu e desapareceu?

Fiquei apenas com metade do que devia ser todo meu,

para hoje este poema ser metade do que seria seu.

 

Mas mesmo com metade do sentir que tive,

desses  vossos sorrisos, desses olhares amigos,

do encanto da natureza, da alegria da vossa felicidade,

sempre agradecerei a emoção da Vida que exaltei na realidade.

 

Valdemar Muge

RECORDAS-TE



 RECORDAS-TE

 

Recordas-te desse nosso tempo de criança,

éramos amigos e felizes,

( era o princípio da nossa amizade, )

todos os olhares que nos viam, brilhavam e tinham ternura...

pensávamos então que esse brilho tinha vindo das estrelas;

todos nos sorriam,

eram faces de encanto e carinho

 com vozes melodiosas de simpatia...

acreditávamos sorrindo

que era mensagens de anjos seus amigos e nossos amigos seriam.

Oh, queridas imagens, doce ilusão dessa idade!

Mal sabíamos, que hoje me ouvirias a triste realidade:

são quantas e quantas são as crianças sem sonhos,

sem carinhos, sem amizades:

em vez de estrelas, têm na longa noite,

a casa em escombros deixados das guerras;

em vez de anjos, têm os destruidores da concórdia e da paz,

que quantos coabitam na terra, que dentro deles a maldade traz.

 

Recordas-te quando brincávamos com esses brinquedos queridos:

o pião, ao escondido, ao botão, tempo de partilha fraternal...

o carro e a mota de madeira, nas nossas mãos sempre andavam,

andavam nas ruas que fazíamos de pisos de inocência;

as casas de areia, se transformavam em castelos de fantasia

que a nossa imaginação os recheava de alegria,

e de sabores aromatizados, na mesa, por nós criados

e enfeitada com flores nossas amigas,

e de luz que apanhávamos que os passarinhos nos traziam.

Éramos construtores das nossas ideias,

e os rios nasciam e corria a água da nossa imaginação

das fontes da amizade e sob as pontes para o futuro;

cultivamos jardins, neles, floriam as nossas flores multicores,

e da terra, nascia os fruto de cada dia,

de cada abraço partilhado,

queríamos que esse tempo parasse

e que sempre assim fôssemos amados.

Mas hoje, amigo,

são recordações dum tempo que nos era de encanto,

hoje, quantos de nós, em vez de castelos,

dormem no abrigo da ponte ou em charcos de chuva contida;

em vez dos sabores na mesa,

mendigam á procura de um pouco de pão,

desses sabores amargos da fome e da tristeza que são;

em vez de alegria e felicidade, possuem o coração amargurado

pela miséria e destruição que permanece e que pelo mundo vão...

esses, amigo, são quantos que por vezes lhes chamamos irmão!

Por essa razão, o sangue inocente do poema da criança,

se dilui no mar das lamentações e contradições,

( antes porém, a aragem continuará a espalhar esse encanto

em outras crianças que acreditam na existência do amor... )

mas os sonhos correm, correm,

fogem nos sulcos da estrada do tempo,

nos atropelos e obstáculos encontrados que a vida nos surpreende.

 

Pudesse eu ser ainda essa criança,

ter essas nossas fantasias de então,

as espalharia por toda a parte:

de cada estrela despejava luz de alegria e felicidade;

de cada rio, regava as sementes para que sempre ouvece alimento;

de cada aurora que nascesse, mostrava a fraternal paz tão desejada;

de cada abraço que permanecesse, faria uma terra de fraternidade,

de cada beijo, uma multidão de amizades,

e de cada carinho, um mundo de amor.

E esse inocente sentir que então tinha de criança,

fosse o eterno elo da Concórdia.

 

A vida é efémera, mas há sonhos que são eternos.

 

Valdemar Muge

SERÁ ENCANTO


 SERÁ ENCANTO

Será encanto ou ilusão este meu sentir?

será talvez mistério no coração a florir,

ter tantas e quantas primaveras permanecidas

que florescem nos poemas com aromas sentidos.

Essas são as primaveras que me não fogem,

serão as rejuvenescidas, as que sempre viverão.

Serei assim primavera desse mistério no coração.

 

E esse sentir quando junto ao mar,

essa aragem refrescante ao calor solar

onde bebo essa luz e possuo esse mar,,,

esse olhar para o horizonte, na areia com espuma deixada,

onde abraço esse infinito salgado mas amado,

dessas gaivotas passando, voando,

alegres, em festa, anunciando o verão,

então, também serei nesses momentos: verão.

 

É no silêncio das folhas douradas

que o vento as despe e no vento vão

com saudades deixadas que daqui não mais serão,

que sinto que também serei outono,

esse encanto nos poemas que canto,

nesses versos que vão para vós ficando.

 

Assim serei, quantas vezes nas palavras o digo,

essas primaveras que em mim a natureza as floresce,

esse verão que o mar na praia me aconchega,

esse outono que o encanto dourado a meus pés, beija e chega.

 

Primavera, verão ou outono,

nesta lida do sentir,

neste viajar azul estrelado,

este navegar nas aragens de mar desejado,

só falta ir ao encontro do caminho invernal que me espera,

para então também ser esse manto branco

que ao longe me espera.

 

                                   Valdemar Muge

EM TODOS OS DIAS


 EM TODOS OS DIAS

 

Em todos os dias minhas mãos tentam apanhar a luz,

mas ela me foge...

é veloz e não sabe esperar para que eu tenha esse momento.

Meus braços se erguem e querem abraçar cada dia para o guardar,

para que eu sempre fosse desse dia, desse tempo,

mas em vão esse tentar.

Como o queria guardar para que o tempo parasse

e assim não corresse.

Esse é o destino de cada dia que nasce,

que cada dia me faz envelhecer...

cada dia ele me foge, é certo, mas cada dia guia meu viver...

cada dia ele me ensina a ser, a amar, e o cantar.

Desisti então de apanhar o tempo,

porque ele nasceu para ser livre e livre nos deixa ser

para não querermos aquilo que não  podemos ter.

 

Valdemar Muge

REFLEXÃO


REFLEXÃO


O que hoje podias fazer e deixaste para amanhã,

jamais será  igual ao que ontem o terias feito.

Lembra-te que os dias nunca serão iguais uns dos outros,

e os teus que na vida passas, diferentes dias serão,

e diferente sentir tem o coração.

Se idealizaste algo, não deixes de o fazer hoje,

porque amanhã,

será bem diferente daquilo que ontem idealizaste.

Lembra-te que cada dia que tiveste, te foi diferente:

o de ontem foi de espera, agora é saudade,

o de hoje, de alegria, ventura e quanta amargura,

e o de amanhã será então de ansiada esperança.

 

Valdemar Muge

Thursday, December 21, 2023

PARA TI ESTE POEMA


 

PARA TI ESTE PORMA


Teus olhos quiseram ver a beleza que foi criada para a teres,

para a amares e a estimares.

Felizes são os olhos que a têm e a acarinha.

Pois tanta existe e eu tanta a  vi, senti e a cantei.

Ela te vem ao romper do dia, te abraça, e te cria:

é a aurora que desponta, o sol que te acaricia,

imensa luz que te abraça, que te abençoa,

para depois nos dar o suave repouso do entardecer.

Esse romper do dia, essa alegria da vida;

essa vivência que desperta, esse reencontro que permanece;

essa música que suavisa, abraço meu e teu que na vida se deu.

 

A beleza está na cor de cada fruto:

no rubro da romã, no amarelo da maçã;

no escarlate do bago da uva ou na seiva da raiz de cada fruto.

Na melodia do brotar da nascente da água que te canta a vida,

na paz dos rios que segredam os silêncios tidos,

na força do marejar das ondas que te envolve na maresia,

no frescor da chuva que te afaga em lacrimosas gotículas,

no calor solar, força da vida, resplendor de mistério universal,

esse belo e infindável poema da natureza,

esse hino de louvor jamais igualado de tanta beleza.

 

A beleza, essa, está presente em ti em qualquer momento:

num afável sorriso que possas dar, possas partilhar,

no aconchego do abraço fraternal de quem esperava a chegada,

num carinhoso gesto de gratidão que possas dar,

numa ternura de felicidade, viver para amar;

quando se a sente, ela invade-nos o sangue,

fica-se extasiado, fervilha com a luz da descoberta

nas trevas e na obscuridade existente, 

iluminando o conhecimento e a satisfação.

Ela diz-nos a forma harmoniosa da existencial do mundo,

sem que possamos descobrir esse mistério do tempo.

 

A beleza está nas tuas mãos:

Nelas, tens o condor de levares a flor ao mais humilde,

á criança, ao idoso, a todos que te são queridos;

nelas, descobres o desabrochar da flor, 

essa beleza do aflorar da natureza,

e o tombar das pétalas, como sonhos que se perdem...

que quantos morrem como pétalas secas da vida.

Das tuas mãos, pode nascer quanta beleza, quanta harmonia:

das palavras que nunca foram ditas, mas foram escritas;

que nunca tiveram a coragem de falar, mas nasceram das mãos;

que abençoam, que oram, que dão felicidade...

mas também quantas maltratam e injustas.

Elas são a voz do silêncio, dos humilhados do destino, da pobreza,

estas já serão as da triste beleza que permanece.

 

Pois não precisas de procurar a beleza para a teres:

ela está no teu olhar, nas tuas mãos, no teu sentir.

Está presente, mais ou menos bela, no sentir do momento,

no êxtase do encontro, na maravilha da exaltação.

Somos os realizadores da beleza, os construtores dessa maravilha,

ela é obra do nosso sentir, da nossa imaginação,

é constante fluir de dentro de nós,

como maravilhoso seria que sempre fosse de paz e amor.

 

A beleza está e sempre estará em cada dia que se vive, que se renasce,

em cada abraço de agradecimento que se dá á vida,

em cada louvor á nossa existência.

Com este louvor de gratidão, na memória do espírito,

um dia levarei todas estas imagens que me ficaram gravadas,

nelas, também me transformarei, nelas viverei,

toda as maravilhas para a todos espalhar,

nesse silêncio esperado e sempre aguardado.

 

Valdemar  Muge


O QUE PENSO FAZER

 


O QUE PENSO FAZER

 

O que penso fazer, do pensamento me sai...

para concretizar o que pensei,

esse dom que do pensar o querer fazer,

é desejo, é querer ser do que sai do seu pensar.

 

Não importa ser aquilo que nos julgam,

quando julgados andamos toda a vida ...

seremos apenas o que nós julgamos,

para os que pensam que nos julgam,

se julguem apenas para si próprios.

 

Não quero ser diferente daquilo que sou,

sou o que sou em cada dia, em cada pensar...

que importa correr, mais vale ir devagar...

mais vale ser o meu pensar,

do que dois cheios de quanto azar.

 

Para quê correr se quantas vezes não nos leva a nada.

Aprendi com o rio que devagar no seu leito ao mar chegará,

destino é o seu que o mar o espera para o abraçar;

como a terra sabe esperar a semente madura que lhe cai

para vida lhe dar,

para oferecer assim o fruto, e a flor da amizade espalhar.

A natureza nos convida a reflectir que tudo que tem que ser,

virá no tempo, nesse tempo determinado.

 

Para quê correr á procura do amor,

quanto anseio, quanto ardor,

esse, se tiver que vir, nos chegará,

o seu calor virá, a luz o trará...

forçar não, ele é livre, querendo, um dia aparecerá.

Para quê amordaçar a vida, viva paciente,

ela te veio para ser livre, para a amar,

para com ela conviver, a cantar...

só terás essa, estima-a por favor!

ela quer paz, quer concórdia, alegria, amor.

 

Seremos aquilo que pensamos que somos,

resignados com o que alcançamos ter,

se mais viremos a ter, será o que o destino nos der.

Para quê arrancar de meu ser um outro para o ser,

se outro eu não seria,

mais não teria e esse não seria talvez o meu destino ser.

Quero o instante de cada dia:

quando o sol me ilumina e diz bom dia,

um sorriso de felicidade em cada pessoa,

a gaivota a beijar-me o olhar enquanto não voa,

a harmonia em cada coração, em cada união.

 

E assim, a força da vida corre no silêncio que nos habita...

o sangue que corre nas palavras ditas em cada poema,

no sentir angustioso da violência que se vê em cada dia,

no amor que se encontra em cada ser, em cada crer,

e nos sonhos e desejos com a esperança da realidade:

essa é a essência da existência humana

que o destino vai criando e que nos invade

á luz da sobrevivência, e nas trevas da obscuridade.

 

Valdemar Muge

 

Saturday, November 11, 2023

GRATIDÃO



GRATIDÃO

 

 Senhor, ilumina-me o caminho para Te poder encontrar,

Pois meu anseio é sentir tua paz e te abraçar.

Ajuda-me a saber perdoar e esquecer as atitudes maléficas,

para que eu te possa sentir, me receberes e Te ter.

O resplendor da fé, seja sempre minha companheira,

minha guia, minha conselheira para estar contigo.

 

       Em cada gesto de ternura,  vi Tua presença de amor:

 

Em cada flor que tive, vi o florir maravilhoso da natureza;

em cada fruto, o renascer da sobrevivência da vida;

em cada nascimento, o hino glorioso da humanidade.

Em cada nascer do dia, a alegria de viver renascia;

em cada sorriso que encontrava, a ternura que queria;

em cada palavra partilhada, a fraternidade desejada.

Quando tudo isso se sente, é paz que em nós permanece.

 

       Os percursos na vida, são árduos  mas compensadores:

 

Aqui deixarei minhas vestes de peregrino

com o pó dos caminhos do mundo ensanguentado e de dor;

essas, que encontraram a vivência da corrupção encoberta

e a pobreza proliferada e espalhada nas ruas.

Mas também ficarão as vestes das vivências de ternura e da paz,

esses sentidos de gratidão e felicidade

que o peregrino encontra e não mais esquecerá,

para um dia ir ao encontro da Luz, ansiada.


   Fecundar a felicidade, é constante trabalho em cada dia:

 

Vivemos a felicidade,

quando habitamos nos campos rejuvenescidos 

com a alegria espalhada e partilhada á nossa volta,

mas quando no declínio da vida

se sente a indiferença que no mundo permanece,

é ausência, desilusão permanente

de quem já não tem força para querer viver.

Permanecerá só com a força criadora que soube espalhar

e cultivar, sobreviverá com o sol se sol houver.

Apenas só pode colher os frutos das sementes que cultivou,

não se pode esperar algo que não existe e não criou.

Terá o silêncio que idealizou, o seu permanecer será

com a gratidão que espalhou...

 

          Agradecer a existência de cada dia, é gratidão Divina:

 

Todos os presentes que vivi de cada dia,

são a minha maior gratidão da existência da vida.

Tiveram sonhos não realizados, quem os não tem?...

esperanças idealizadas que se frutificam;

outras, desilusões ficaram:

vitórias e derrotas que a vida tem,

mas tudo faz parte deste viver que grato estamos,

que seria para que todos se amassem felizes no percurso que encetamos.

 

   Vivemos para amar, cultivar o amor, esse o nosso projeto:

 

Quando não mais poder falar com o mar,

sentirei que as ondas ficarão tristes e outros destinos seguirão;

com os rios, minhas saudosas lágrimas levarão;

com as fontes, então elas também triste poesia darão.

Quando não mais poder cantar as flores,

sentirei ver as pétalas num adeus de despedida,

voarem, voarem como pássaros que não mais voltarão;

 aos rostos que tanto amava, nostálgicos, sofridos, se tornarão;

às estrelas que me iluminavam, não mais nas mãos me ficarão,

porque tudo para mim será diferente,

não mais com elas falarei e com elas estarei;

não mais haverá a melodia da poesia de dentro do meu coração

e o mesmo ser não mais serei então...

serei saudade, serei tristeza desta paixão.

Mas esta natureza para vós, viverá!

Ela sempre vos espera, sempre vos cantará o hino da alegria,

essa será a vossa eterna e querida gratidão.

Quem sabe se nesse futuro hino de paz,

também serei mar, fonte ou rio, para vos continuar a cantar,

para sempre vos amar.

 

Obrigado Senhor, pela forma que criaste cada ser,

pela inteligência, pela voz para este meu cantar,

e pelo sentir espiritual da perfeição humana:

sinais vivos da Tua presença criadora de vida e amor.

 

Valdemar Muge