Saturday, July 15, 2023

NÃO QUERO MAIS


 

NÃO QUERO MAIS

 

 Não, não quero mais!

 

Tenho em mim, o fresco marejar do mar, guardado,

o deleite da onda que me acaricia em espuma,

o suave bailado da gaivota, vinda.

 

Se tenho os silêncios dos pinhais,

dos rios, das fontes, segredando;

o ocaso do dia, e o noturno luar, amando.

 

Se tenho o encanto dos sorrisos partilhados,

das palavras afetuosas, pronunciadas;

dos abraços vindos do coração, encontrados.

 

Não, não quero mais!

 

Quanta paixão tive, amor fecundado que permaneceu;

quanto frescor na alma, das amizades sentidas;

quanta felicidade na vida, da vida vivida.

 

Não quero mais, para mais saudade não ter...

já tanto aqui tenho que deixar, sem lágrimas acontecer,

pois tanta saudade tenho que levar, dessas dádivas que tive,

mais não quero, porque se mais tivesse desse sentir querido,

mais teria que oferecer.

 

Valdemar Muge

EM CADA FLÔR


  

EM CADA FLOR OFERTADA

 

Em cada flor ofertada,

uma delicadeza deixada;

em cada beleza da natureza,

um Mistérios Supremo;

em cada sorriso partilhado,

uma ternura acontecida;

em cada palavra dada,

um afeto oferecido;

em cada passo caminhado,

um encontro desejado.

 

Esses encontros que a vida oferece,  

essa essência sentida e querida,

são elos jamais esquecidos e vividos.

Essa união fecundada,

são partículas da formação do Amor

que ficam recordações jamais esquecidas.

 

Em cada lugar, em cada espaço,

ficará um pouco de mim,

em tudo aquilo que quanto amei,

uma recordação vivida,

uma essência do que fomos,

em memórias eternas dos sonhos de uma vida,

porque tudo me chamava para ficar aqui.

 

Valdemar Muge 

QUANTOS MEDOS TIVE


 

QUANTOS MEDOS TIVE

 Quantos medos tive, de viver nas perseguições maléficas,

maldosas que esvoaçam pelos caminhos encontrados

e a terem de ser vencidas;

das mentiras e injúrias que infestam

no negro esconderijo da covardia;

da triste miséria, fruto das guerras;

da proliferação da ganância e da desumanidade;

nas corrupções que habitam em tantos seres

com o vício do poder desejado,

nesse crime cometido:

sinais existentes, camuflados na capa malvada

de quanta existência humana.

 

Com o crer da solidariedade,

com a alegria do encontro da paz,

com o querer da verdade e da justiça,

com as lágrimas dum sofrimento recompensador,

o medo será vencido!...

e da tristeza, nascerá a tranquilidade,

fluirá as alegres flores da felicidade e do amor,

como um poema de exaltação a anunciar a paz.


Não tenhamos medo do futuro,

do encontro aguardado que nos espera.

No caminho que percorremos,

o que procuramos nesta sobrevivência,

esse que construímos,

e o que fizermos o mais correto possível

alicerçado no bem, na paz e na justiça,

será com certeza,

a recompensa dum encontro fraternal,

de Paz e Amor.

Esse caminho encetado, esse que procuramos,

acompanhados estamos, juntos vamos

com o Amor que sempre nos acompanha e nos protege,

e que Nele cremos.

 

Não tenhas medo!

De coração inocente e em paz,

sentirás que encontrarás a felicidade, o amor,

a tranquilidade que sempre desejaste e sonhaste

 

Valdemar Muge

Sunday, June 04, 2023

SENTIDOS DE POESIA



SENTIDOS DE POESIA


Em cada dia, um novo reviver;

em cada momento, um melhor ser;

em cada querer, está o sentir do crer em ter,

em realizar, em saber viver.

 

Em cada gesto, uma gentileza;

em cada dádiva, um agradecimento;

em cada atitude, a identidade interior

do que é, e quanto a alma possuí.

 

  A beleza que melhor podemos admirar,

será com certezas, o sentir afetuoso

que cada qual traz dentro de si,  

e o reparte á sua volta.          

 

A riqueza material, pode ser efémera,

mas a espiritual, a que existe dentro de nós,

alicerçada no bem, na bondade, na paz, no amor,

jamais se extinguirá, é sublime.


 Estende as mãos com ternura,

e nelas aparecerá o brilho da amizade.

Com tuas mãos,

podes construir sabedoria de paz,

laços de fraternidade, alicerces de sobreviver.

 

Se partilhares o fraternal e sincero sorriso,

aparecerá o nascer da suave felicidade:

Porque há sorrisos

que iluminam a escura solidão;

que abraçam a alegria de viver;

que têm a força do nosso permanecer.

 

Felizes os corações que têm o sentir da gratidão:

são possuidores de espírito grandioso,

e sublime essência da alma.

Mas infelizes são aqueles que só conhecem a ingratidão,

nos seus corações o amor é frágil,

e a paz não tem pouso seguro.

 

Nos teus silêncios, sinto a tua harmonia

embalada na doçura da compressão;

Os teus gestos, têm o infinito diálogo da ternura,

são poemas de sabedoria, afagos de amor;

no teu olhar, há melodia que a natureza canta,

sorrisos coloridos das flores, e brilhos que têm as estrelas.

 

A natureza é pródiga em dons e beleza para que

possamos sentir e amar essas maravilhas.

Ela nos deu essa graça, essa harmonia, esse encanto.

O ser humano anseia possuir essa felicidade, esse convívio...

procurei, senti, o encontrei essa poema que o abracei,

que dele me vesti, me iluminou e o amei,

neste infindo cantar

que a alma se extasia de sublime doçura.

 

Se buscas a paz e nela queres viver,

que será esse o teu dever, no teu permanecer...

então, cultiva-a, e comunga com ela,

e, encontrarás a gratidão, ternura, felicidade

espalhada á tua volta,

dons que os corações anseiam e precisam.

 

Valdemar Muge 

MARIA FLOR



MARIA FLOR 

 

Nas tuas mãos levas para ti,

as que mais gostas para cada dia embelezar:

rosas e mais rosas de quantas cores várias;

ou cravos cheirosos, gladíolos rosados,

e com lindas orquídeas, também, por ti, irão enfeitar.

Queres ser a Maria das flores sentidas, queridas,

que as guardas com saudade, recordações da tua vida.

Maria Flor, com as pétalas, és dádiva de alívio á dor,

polinizadora da alegria, bálsamo do amor.

Esse sentir, que dentro de ti os guardas:

é dom floral que a natureza te dera,

jardim florido na alma que o coração encerra.

Eu, como tu tantas flores não terei...

mas tenho a ti, beleza cantada que mais flores terá.

Quando as quero afagar, as abraçar,

nos teus olhos as vejo, no teu rosto as beijo,

e a beleza interior, com elas, no teu coração florirá.

 

Valdemar Muge

NÃO SEI PORQUÊ



NÃO SEI PORQUÊ

 

Não sei porquê tantos desencontros,

tantas desavenças e guerrilhas,

tantas maldades e ganâncias,

tantas guerras e sangue derramado,

se tudo fica, a vida é efémera,

é uma passagem que depressa passa

que o Mistério á ciência trespassa.

 

Não sei porquê, se enquanto a vida existir, permanecer,

todos os seres poderiam conviver em paz e fraternidade,

em vez de corrupção, mas em lealdade,

em vez de crimes, mas em harmonia,

em vez de ódios, mas em amor,

em vez de derramamento de sangue,

em justiça, criar vida, bondade e ternurae.

 

O tempo surge e tanto tanto há, para amar:

em cada coração que á nossa volta passa,

esta natureza que nos enlaça,

o universo que temos para descobrir,

a paz do dia-a-dia para reviver,

neste curto tempo, que quanto temos para feliz ser,

e para nos corações haver mais primavera.

 

Valdemar Muge

 

Saturday, April 15, 2023

PODIA-TE CHAMAR FLOR


 

PODIA-TE CHAMAR FLOR

 Podia-te chamar flor, porque outro nome não seria...

flor que se deseja, que se beija e se dá.

Esse florir que em ti há

jardim colorido que te abraço,

esse encanto que conténs,

terra minha que no coração enlaço.

 

Podia-te chamar amor,

porque esse sentir, habita nas tuas ruas, pairando,

nos corações amigos, partilhando,

em cada gesto. em cada sorriso tido,

em cada terna flor oferecida, vinda.

 

Podia-te chamar melodia,

porque em cada romper do dia,

no nascer da água da fonte,

no rio que sonhos desperta,

nos lábios alegres que beijam,

na tua vivência e da doce criança,

está essa melodia que te dá vida,

sentir que nos corações encerra.

 

Podia-te chamar: Flor, amor ou melodia!

Quando de ti ausente, serias flor saudade;

e contigo presente,

eras minha flor guardada, amada.

Tudo isso és e quanto mais te diria,

serias rio ou mar para sonhar e amar;

livre pássaro ou, doce fruto para te saborear;

alegre viver ou, felicidade em te ter:

és pouso, és lar para meu ser.

Sempre minha serás: amor que tenho,

flor querida, melodia no coração,

sentidos que jamais esquecidos serão.

 

Valdemar  Muge

O DIA NÃO ACABOU



O DIA NÃO ACABOU

 O dia não acabou, não terminou hoje..

ele descansa na noite que o aguardou;

embala-o com as estrelas,

canta-lhe melodias belas,

para amanhã nas auroras esperadas,

de novo desperta renovado á luz da vida,

aos abraços da fraternidade cantando a alegria,

sonhando, amando com a gente,

que a noite, sua amante, lhe ensinou beijando.

 

Da existência da natureza de que fazemos parte,

apesar do nosso corpo com o tempo, envelhecer,

o espírito dia-a-dia se renova com o alimento do amor,

com a construção da paz,

com as vivências da fraternidade:

essência essa da vida

e força íntima para que o ser humano foi criado.

 

O que parece que vai acabando e envelhecendo,

na essência vai renovando em cada amanhecer.

O corpo, poderá ter o sentir da saudade,

mas o espírito é exaltação da vida,

força de ser da existência de aqui permanecer.

As vivências, são escolas de perfeição,

de sabedoria, de renovação do saber na vida.

Então sim, quando um dia tiver que renascer,

da despedida de aqui permanecer,

da melodia da vida já não ouvir,

e o corpo exausto já forças não ter ,

as renovações de hoje,

essas, que o espírito no bem aperfeiçoou,

florescerão na nova Vida aguardada que se crê,

e o renascer daqui, continuará para quem cá ficou.

 

Valdemar Muge

Saturday, March 25, 2023

FOI DO TEU SILÊNCIO




  

FOI DO TEU SILÊNCIO

 

Foi do teu silêncio, que guardei em mim,

os teus aromas e o florescer que há em ti,

terra minha, que sempre os terei para cantar;

 

Foi no teu silêncio, que encontrei o amor,

a alegria da felicidade, o alívio da dor,

que  os guardo para sempre deles partilhar;

 

É no teu silêncio, que encontro as palavras desejadas,

as que canto aos corações para se tornam amadas,

que sempre as cantarei e para vós as darei.

 

No silêncio, encontro a essência que sou,

de onde vim, onde estou, e para onde vou...

para sempre convosco fraternalmente permanecer.

 

Anseio o tempo presente, o passado já está ausente...

quero as realidades, vivendo com as sinceridades

de todos e para todos com honestidade.

 

Gasto o tempo presente, amei o que passou em cada dia.

Amanhã, nascerá mais essência, mais crer de harmonia,

mais fraternidade, mais lealdade para a vida.

 

Quando a alma o silêncio não tem, precisa e pede,

esse sublime encontro de Mistério que se sente,

está serenamente no infinito embalo das ondas

adormecendo a saudade, (essa nostalgia carente,)

e despertando a alegria para a cantar suavemente;

no esplendor dos céus,

nesse mistério tão grandioso que nasceu,

e Divinamente nele cremose vive, 

o que no espírito nos floresceu;

na maravilha da natureza que dela fazemos parte,

existência de vida jamais igualada e criada.

 

Encontro o suave bálsamo do silêncio,

num simples sorriso partilhado, numa ternura amada,

num gesto de amor, num olhar de quem seja for.

Abracemos esse Universo, e teremos a paz, o amor,

a felicidade que o espírito humano anseia e precisa.

 

Assim canto do silêncio, o encanto seu,

que este silêncio me deu.

 

Valdemar Muge

 

O REGRESSO



O REGRESSO

  

 O regresso à terra onde nasceste,

é festa da saudade que te cresceu,

da tida ausência que a vida te deu;

memórias vivas, jamais esquecidas,

guardadas... recordando-as, quantas te sorri,

mas outras, tristes, também as tiveste em ti.

 

Na ausência tida, o rumor do marajsr das águas,

da aragem, do vento da tua terra, te chamam:

porque nas tuas veias, corre o sangue da saudade

do teu tempo da mocidade que o tempo a levou;

porque tens a força criadora da terra, que aqui ficou,

o odor das árvores, do trigo, das flores que abraçaste;

tens os sorrisos, as palavras, tudo que amaste,

e quantas amizades que partilhaste,

essa vida onde nascestes e viveste

com o afeto do seu povo, os testemunhos da tua existência;

as raízes da tua descendência que esperam por ti:

é vida de que fazes parte, que se sente e existe aqui.

 

Quando, enfim, regressares, a naturezas te sorri,

o mar te cantará com as gaivotas a sua melodia,

o dia terá mais luz, e as flores mais encanto;

a andorinha te recebe e as gentes mais felicidade,

porque o amor á terra mãe, que nela nasceu, vencerá,

para ter o filho esperado que é seu.

 

Eu, farei parte dessa festa!

Cantar-te-ei aromas de alegria, ternura, harmonia.

 

Valdemar Muge 

AQUI


 

AQUI


Aqui, neste recanto de terra florida,

correm as águas que ouviram suspiros de amor,

e quantos desabafos de tristeza e dor

do sentir dos corações apaixonados e magoados...

e nesse sensível sentir, o suave alívio tiveram,

do doce bálsamo que ali permanece

da terra, do céu, dessa paz que lá habita e a nós oferece.

 

Aqui, é berço das sete fontes das águas do passado,

( hoje, menos são, as outras já lá vão...)

onde o alegre nascer das suas águas do tempo levado,

 brotavam melodias que inspiraram poetas de então.

Como eram fontes de águas cristalinas, saudades tidas,

agora, são recordações á memória, vindas...

 

Aqui, nessas águas que correm, que são espelho da lua,

e o sol aconchegando, beijando, acarinha a sua natureza...

recanto este, que é pouso de tamanho encanto e beleza;

onde se ouve o melodiado chilrear dos pássaros,

e o silêncio refrescante da paz;

onde mora a oração no templo que ali jaz,

símbolo da Fé e crer deste povo que aqui a vivência faz.

 

Aqui, povoa o suave silêncio desta terra, desta gente;

onde se ergue a memória do passado e do presente;

as madrugadas da esperança renascida,

e o descanso da noite esperada, prometida;

é poema de palavras cantadas que lá vivem pousadas

desta terra que se espalha até ao mar

de alegrias e mágoas, que nos faz amar.

 

Valdemar Muge