Saturday, March 25, 2023

O REGRESSO



O REGRESSO

  

 O regresso à terra onde nasceste,

é festa da saudade que te cresceu,

da tida ausência que a vida te deu;

memórias vivas, jamais esquecidas,

guardadas... recordando-as, quantas te sorri,

mas outras, tristes, também as tiveste em ti.

 

Na ausência tida, o rumor do marajsr das águas,

da aragem, do vento da tua terra, te chamam:

porque nas tuas veias, corre o sangue da saudade

do teu tempo da mocidade que o tempo a levou;

porque tens a força criadora da terra, que aqui ficou,

o odor das árvores, do trigo, das flores que abraçaste;

tens os sorrisos, as palavras, tudo que amaste,

e quantas amizades que partilhaste,

essa vida onde nascestes e viveste

com o afeto do seu povo, os testemunhos da tua existência;

as raízes da tua descendência que esperam por ti:

é vida de que fazes parte, que se sente e existe aqui.

 

Quando, enfim, regressares, a naturezas te sorri,

o mar te cantará com as gaivotas a sua melodia,

o dia terá mais luz, e as flores mais encanto;

a andorinha te recebe e as gentes mais felicidade,

porque o amor á terra mãe, que nela nasceu, vencerá,

para ter o filho esperado que é seu.

 

Eu, farei parte dessa festa!

Cantar-te-ei aromas de alegria, ternura, harmonia.

 

Valdemar Muge 

AQUI


 

AQUI


Aqui, neste recanto de terra florida,

correm as águas que ouviram suspiros de amor,

e quantos desabafos de tristeza e dor

do sentir dos corações apaixonados e magoados...

e nesse sensível sentir, o suave alívio tiveram,

do doce bálsamo que ali permanece

da terra, do céu, dessa paz que lá habita e a nós oferece.

 

Aqui, é berço das sete fontes das águas do passado,

( hoje, menos são, as outras já lá vão...)

onde o alegre nascer das suas águas do tempo levado,

 brotavam melodias que inspiraram poetas de então.

Como eram fontes de águas cristalinas, saudades tidas,

agora, são recordações á memória, vindas...

 

Aqui, nessas águas que correm, que são espelho da lua,

e o sol aconchegando, beijando, acarinha a sua natureza...

recanto este, que é pouso de tamanho encanto e beleza;

onde se ouve o melodiado chilrear dos pássaros,

e o silêncio refrescante da paz;

onde mora a oração no templo que ali jaz,

símbolo da Fé e crer deste povo que aqui a vivência faz.

 

Aqui, povoa o suave silêncio desta terra, desta gente;

onde se ergue a memória do passado e do presente;

as madrugadas da esperança renascida,

e o descanso da noite esperada, prometida;

é poema de palavras cantadas que lá vivem pousadas

desta terra que se espalha até ao mar

de alegrias e mágoas, que nos faz amar.

 

Valdemar Muge

Sunday, February 26, 2023

ROSAS DE SAUDADE


 ROSAS DE SAUDADE

As rosas que no peito me florescem,

de manhã, têm aroma de esperança:

elas dão-nos o alegre abraço de confiança;

tem a melodia do despertar das auroras de cada dia, 

a magia dos meus sonhos,

a dádiva do encanto da felicidade.

 

As rosas á tarde, têm palavras encontradas, amadas;

têm a espera do teu carinho,

o encontro do teu amor,

o calor da tua paixão ...

e porque são de amor,

as pétalas flutuam em cada coração apaixonado;

e na fluidez do orvalho e do silêncio noturno,

guardam adormecidas ao luar e do brilho das estrelas,

o sentir das vidas que os corações as abraçaram,

que as acarinharam, saudosas.

 

 Com rosas te encontrei,

teu sorriso guardei,

afetos queridos partilhamos,

e o coração te dei.

 

Com rosas, nos apaixonados,

beijamos, amamos, e seríamos eternos namorados;

 

 com rosas, descobrimos horizontes,

desfolhamos palavras, brotaram amores.

 

 Com rosas, juntos renascemos,

vivemos, amamos, e com elas morreremos....

porque em nós,

sempre florirão as pétalas do amor,

da amizade

que um dia além, serão as da saudade.


De ti, jardim de meu encanto,

levei rosas aos rios, ao mar, ao céu,

para que as suas pétalas a beleza espalhasse;

levei rosas a cada encontro, a cada amizade...

com elas, se faz paz, amor, fraternidade.

São alegria, silêncios, saudade:

beleza que na vida temos e a admiramos de verdade.

 

Com rosas, naveguei em ventos de cores aveludadas;

em aragens perfumadas, suaves aromas encomtrados;

habituei em silêncios encontrados, de paz, e de amor.

Com as pétalas, polbilhei rios e mar, 

aspergi no o céu, florindo;

saudades de sorrisos, dos inocentes dias passados;

emoções de sangue que a vida tem, 

que no mundo de vive.

 

Não mais quererei colher rosas dali,

queria ver sempre vivas para mim e para ti.

 No jardim, elas esperam por mim e por ti, florindo...ll,ol9l,,l luminárias em mim 

assim, sempre estariam vivas, vicosas, parecendo sorrindo,

vivas para nós, e para a imagem da Santa Senhora, ali...

exalando perfume, suavizando nosso espírito,

maravilhoso sentir que aos nossos corações vem.

 

Naquelas rosas orvalhadas ao nascer da manhã,

estão as lacrimosas saudades deixadas

de quem com elas amou e chorou;

de quem já partiu e com elas não ficou,

ficou só a saudade de alguém que não mais voltou..

 

Valdemar Muge

Thursday, February 16, 2023

EM CADA ROMPER


 

EM CADA ROMPER

 

Em cada romper da manhã,

o voo da ave que desperta e passa

rumo ao céu, no seu rumor quando esvoaça,

procura viver, antes que o homem lhe faça perecer,

para novos horizontes, novos destinos para sobreviver.

 

Enquanto as aves vão e seu destino seguirão,

nas palavras partilhadas, nas histórias minhas e tuas,

nesta terra, nestas ruas sem descanso

que no viver encerra,

nesta gente que dia-a-dia cria alegria,

tristeza, amor, fantasia,

esse é o seu grito da vida, 

é força de viver, essência sentida...

é melodia jamais esquecida que dentro em nós fica.

Aqui, mora esta gente que luta, que persiste;

gente amiga que abraça, e às lágrimas resiste,

e pela manhã, a flor orvalhada acaricia em cada dia.

 

Gente esta que se encontra, e a vida agradece

enquanto o dia não acaba, e a noite exala,

porque um dia, aqui, sabem que não permanecem...

tudo será passado, tudo será saudade levada...

será silêncio, não haverá palavras,

não haverá histórias pronunciadas...

e no meio de toda esta gente de alegria e labor,

sou tempo que passa

ao encontro do silêncio do Amor.

 

Valdemar Muge

AS ROSAS E O MAR

 



AS ROSAS E O MAR

 

Pela aragem o mar me chamou,

esse, uma das maravilhas da natureza,

por ela, seu anseio me chega,

me clama e vou...

sentir de quem se quer, 

e de quem sempre o abraçou.

E o mar me espera, me deseja, 

me quer segredar...

será saudade? -algo me quer dar.

Pelo caminho que ao encontro dele vou ter,

colherei do jardim meu, 

flores de amizade, rosas para lhe ofertar:

são rosas da minha terra, 

rosas para quem quer amar,

rosas colhi para levar a quem faço esperar.

 

No embalo da maré, o esperado abraço se dá,

uma vida, este mar, juntos, sempre amigos será

num aconchego marinho envolto 

com a beleza das flores desta terra, 

neste mar, abraçados, aconchegados com o meu cantar.

É ardor, é amor, é  ternura o ter dentro de mim:

mar que enlaça, rosas que me trespassa,

gente querida da terra em que nasci.

 

Valdemar Muge

Sunday, January 08, 2023

SONHOS


 

 SONHOS

 Quando os encontros acontecem,

e nasce a amizade, o afeto,

a alegria nos corações ansiosos:

é a felicidade da vida que amanhece.

 

Quando na vivência do dia-a-dia,

se vê o trabalho, a paz, a harmonia,

será com certeza a beleza

 dum mundo harmonioso que se queria.

 

.. mas os sonhos são efémeros, falecem,

e a realidade é atroz porque ainda permanece:

As guerras que não acabam e a paz não vem;

o vento da corrupção que corre

e destrói o sonho de alguém;

como água que vai e como a poluem,

deixando de ser pura,

ou tempo de pobreza que alonga 

para noite de alma escura.

 

Mas assim a paz não flui para todos,

e as realidades não passam de serem sonhos

num mundo desencantado e por muitos manchado.

Haverá sempre alguém que não quer ser feliz,

para viver na infelicidade que a felicidade não quis.


Valdemar Muge

A VIAGEM


 

A VIAGEM

 Enquanto não ver o afeto

e a paz permanecer em cada pessoa,

não estarei pronto para a partida da despedida...

seria deixar missão incompleta e imperfeita, á toa,

para que fomos destinados nesta passagem eleita.

 

Continuarei assim, a peregrinar neste tempo,

ao encontro das Auroras da reconciliação,

dum mundo de paz e harmonia,

na possível vivência a ter no dia-a-dia.

 

É urgente encontrar em todas as pessoas:

o amor, a paz, a fraternidade,

porque o tempo desta vivência não é longo

e a partida da viagem destinada aproxima-se.

Este tempo termina, é efémero o que nos foi dado,

e amanhã será um outro e novo desejado.

 

Mas como será possível concretizar este desejo?

Será talvez mais um sonho de muitos já passados.

Cada qual faz o que mais sente conforme seu ensejo...

muitos, não pensam, não amam,

e o que querem  têm perdido...

não sabem, não querem saber que há sonhos guardados

que querem a paz e a fraternidade da vida,

esses dons sublimados.

 

    Valdemar Muge

O MEU POEMA


 

O MEU POEMA

 

O meu poema é tão pequenino,

como as asas duma borboleta ou o pequeno passarinho.

Por isso, ele voa, voa em cada flor, em cada esperança;

ele corre, salta, procura, partilha, ecoa

á procura da fraternidade, da amizade tua,

beijando cada flor,

cantando em cada dia for

Voz que canta o sentir que a alma extasia

e o sentido lhe eleva a beleza da vida de cada dia.

E assim, vai correndo... vivendo para vós, querendo...

para os olhos de quem o quer sentir e vendo.

 

O meu poema é tão pequeno,

como criança que brinca e ri,

que beija e canta amor que vos sorri.

É como criança que sonha com as estrelas,

que quer pintar o brilho da lua e tê-la,

e, ir com o pássaro dos sonhos, voar...

voar no espaço da alegria e do amar.

Tem o sentir da criança que quer o afago de mãe,

aquela que anseia ter esse carinho que quantas não o tem.

 

O meu poema grita, pede socorro,

ecoa pelos montes, pelos mares... e, em cada rua, ouve-se

o canto da sua melodia que prolifera nas auroras do tempo...

tem voz de lamento, sentidos de tristeza...

pede justiça, pede fraternidade,

e, anseia encontros de amizade.

Nasce do silêncio, da seiva do nascer á vida,

sangue que corre da raiz da humanidade:

sentidos que brotam de fluido pensamento.

 

O meu poema, nasce de um beijo desejado,

de um abraço de paz partilhado,

de um sorriso de ternura, oferecido,

dum elo fraternal para que sempre dure.

 

Ele nasce, suave e meigo da fonte da água viva,

  cantando a melodia da vida na terra e no mar.

  É canto que não estanca, gota de sangue que brota,

  e grita o sentir que nasce no ventre da dor,

  do desespero, para nascer a paz em que raça for.

 

Sonha ser arco-íris que brilha para mim e para ti,

quer ser de todos e para todos que brilha sem fim.

Ele brilha nos horizontes, não quer ter barreiras,

quer ser livre, não quer ter fronteiras.

Guarda o sentir do quanto ele viveu,

nas palavras sinceras que a alma deu:

palavras de amor, de carinho, de esperança.

 Escuta-o, verás então esse brilho refletindo

nos teus olhos e pousar-te no coração, sentindo.

 

O meu poema é pequenino,

com voz que inundou sons de alegria,

de tristeza, de saudade;

teve o sentir que a natureza lhe deu,

e o canto á vida dessa sublime grandeza.

Assim foi distribuindo essa alegria,

essa tristeza de cada dia:

um pouco da essência da vida.

 

O meu pequeno poema,

que voa como aquele pássaro que passa,

ou criança que nos enlaça...

esse cântico de amor, de alegria, e de melancolia,

vai sonhando, correndo ao teu encontro,

para dar o eterno abraço de paz que tanta falta faz.

 

                                     Valdemar Muge

 

Saturday, November 19, 2022

NUMA RUA DE SILÊNCIO


 

SENTIDOS DE POESIA

 

Numa rua de silêncio,

uma rua da amizade, da paz, do amor,

há sempre uma voz que ecoa

os sons da liberdade e da verdade;

um sorriso que encanta;

um coração que ama;

uma vida amiga que te abraça.

Há sempre um suspiro atrás da janela,

um sonho que nasce á luz do dia;

uma alma de prece que agradece,

uma flor que brota á vida, colorindo.

Há sempre uma saudade de alguém que partiu,

uma história de amor que além existiu.

Um cântico que a ave espalhou beleza,

um hino de louvor neste silêncio da Natureza.

 

Valdemar Muge

Saturday, November 05, 2022

SENTIDOS DE POESIA


 

SENTIDOS DE POESIA

           A Beleza


A beleza exterior, é efémera:

O tempo a envelhece,

deixa de ser viçosa, amadurece.

A beleza interior, é constante nascente da vida.

Esse mesmo tempo a recria:

é seiva de amor,

é raiz da vida, fruto da compreensão.

A beleza interior, tem o brilho da sinceridade,

tem a doçura dos afetos,

o encanto das palavras,

a sublime maravilha da paz.

É fonte que brota puros sentidos do coração,

é mar que não acaba de felicidade em cada sentir.


Valdemar Muge

Sunday, September 18, 2022

NO LONGO CAMINHO


 

NO LONGO CAMINHO

No longo caminho que percorri,

subi ao alto da colina que me esperava,

parei, meditei, permaneci:

Abri os braços, e abracei a dádiva da vida,

e vi porque quanto o coração sentiu e amou;

olhei o céu que quanto me iluminou e acariciou,

a Luz que sempre me seguiu e amparou,

as Estrelas que me indicaram o caminho.,

maravilha e mistério este que extasia e seduz,

louvor a quem criou tamanha natureza, grandioso resplendor,

esse  Universo infindo de quem é que O sigo por amor.

 

Além, no horizonte que desponta, habita a paz, a procura desejada,

o renascer esperado, a Aurora da esperança,

a continuação da caminhada do Amor, a nova Aliança.

Ao poente, pela planície que desliza até  ao mar,

nos trilhados caminhos, os sulcos da vida são memórias;

o bailado colorido das alegrias e felicidade tida, são histórias;

as faces de sorrisos de simpatia,

e os olhares de ternura, são vivas recordações;

o alegre grito da ave voando

e o cântico da criança brincando, que doces encantos;

a saudade que  paira na solidão do idoso, são quantos afetos passados;

a mocidade, essa corre, vive enquanto o tempo não lhe foge;

o suor do homem no sangue da terra,

germinando o pão da vida, vivo louvor que os corações encerra;

a flor ainda com o orvalho do sonho que o sol lhe reluz,

esse, é encanto oferecido da natureza;

a aragem da labuta pelos campos além,,

tem o odor deixado do renascer da Natureza, é seiva da vida!

e as gotículas correndo das lágrimas e das saudades havidas

que deslizam nas águas para o mar,

que na sua mansidão ao por-do-sol nos mostra

o reflexo da paz e da suavidade, o eterno sentir dos corações,

esse reflexo do espírito na grandeza da vida.

 

E neste sentir que me acolhe, esse doce desejo guardado,

vou na caminhada enquanto este tempo assim me deixar:

levarei em meus passos, tudo isto que vejo, cantando,

direi ao vento o meu propósito, sempre a todos amando,

e ao sol, o meu destino mesmo que seja de poesia com Amor,

porque aqui ou além sempre Te chamo, e contigo irei, Senhor.

 

Valdemar Muge

Thursday, August 11, 2022

QUANTOS TEMPOS GUARDEI

 


           

   QUANTOS TEMPOS GUARDEI

Quantos tempos guardei que tanto sentir me fizeram, te

sentir que no tempo ficou mas frutos na alma deram:

Sou guardador do tempo das palavras amigas

que habitam nos lábios com sorrisos afetuosos:

as suaves e leves que deslizam tão carinhosas,

mas também as com força de tempestade, de luta, de amizade;

das ternuras que esvoaçam e pousam nos corações

envoltas no manto da sinceridade;

dos dias da esperança dos sonhos idealizados,

do erguer das quedas nos corpos maltratados,

das dores sofridas e com coragem foram vencidas

com tenacidade, com raiva, com luta, com ardor;

dos alegres dias cantados á luz do amor e da liberdade,

com abraços da felicidade de viver

com todos vós, amigos, e aqui permanecer;

das palavras partilhadas com rios de afetos,

e  das que fizeram enxugar lágrimas de dor e de saudade.

O do fogo, das inundações, da fome, do sangue das guerras,

esse tempo não! Não quero guardar esse viver.

Não o quero ser, nem o desejo para ninguém ter.

 

Sou esses tempos guardados,

esse sentir que a vida me deu,

essa força que a alma criou neste peregrinar meu,

esses tempos de memórias, tesouro que a vida criou

neste viver que a Natureza fecundou.

Sou o fluir do tempo deste poema cantado,

de rio que corre em murmúrios cantando;

marejar de mar que suaviza, que cria, que luta;

de flor que desabrocha, anúncio de paz, de alegria;

de fruto que vem a vida, dádiva do trabalho, seiva de viver.

Enfim, sou semente que germinou o sentir guardado da vida,

árvore da semente deste cântico vivo da Natureza,

poesia que se criou e se canta e dança á vida,

neste mistério vivo que nos embala com alegria e tristeza.


Fui todo esse tempo, recordações da memória da vida.

Hoje, não quero tempo algum,

só quero o eterno presente para as memórias do sentir

nos corações de todos os vossos tempos.


Valdemar Muge