Saturday, October 04, 2014

NA RUA DO SILÊNCIO


Percorro a rua do silêncio,
a rua das palavras do passado
do tempo que passou.
Hoje são silêncios os passos que por lá passaram,
vidas vividas com sonhos e trabalho que ficaram.
As vozes do protesto,
da mentira,
da falsidade,
foram varridas pelo vento que por lá passou.
Os sons da alegria,
das canções,
da musica,
foram embaladas pela brisa que correu e não ficou.
Naquela rua, é tempo de silêncio!
Silencio para os corações que passam,
para os corações que eternamente se comprometem
e os amorosos sentidos se entrelaçam.
É tempo de amor.
É tempo dos passos silenciosos
e das palavras amorosas.
Na rua do silêncio,
apenas se ouve o florir das flores,
o cantar do pássaro
e o bailado da luz num colorido de encontros que seduz.
Percorro a rua do silêncio das manhãs,
na quietude do tempo que passa,
no tempo do amor dos tranquilos corações
que desejam a paz e a
 felicidade para todos os povos.

Na rua do silêncio,
habita as vozes caladas do tempo passado,
mas crescem nos seus jardins,
                         as flores do amor e da paz, para o tempo futuro.

                         Valdemar Muge

Saturday, September 27, 2014

ROSA MARIA


Perguntei-lhe como se chamava:
Me respondeu que era Rosa Maria.
Fiquei pensando se era de rosas para a Maria
ou se Maria de rosas em botão seria.
Como fiquei a saber querendo,
se naquele sorriso da Maria com as faces rosadas,
correndo,
seria a cor das suas rosas coradas,
ou eram as pétalas das rosas desfolhadas,
naquelas faces de encanto e de vida.
Como fiquei desejando sabendo,
se o brilho que de seus olhos brotava,
era o encanto das suas rosas
que dentro de sua alma exalava,
que para um ser amado ficava.
Perguntei-te teu nome,
e me disseste Rosa Maria!
Disseste que tinhas rosas para dar
e Maria o era para amar.
Mas como as pétalas se voaram
e a Maria o coração deixou.
Serei o ser que não mais viu a rosa
e a Maria a recordação ficou.
As pétalas voaram,
voaram com a saudade da Maria
de quando eram juntas, que eu já não via.

                      Eis o poema a todas as Marias desta terra
que canto a meu jeito,
que têm flores, mais flores,

(e não só rosas), de dentro do peito.

Valdemar Muge

Wednesday, September 24, 2014

A CRUZ DE TODOS


Porque dizes?:
“Como tenho uma pesada cruz!”
Não vos lamenteis,
disso que em vossos corações sentis:
São as dores da vossa natureza;
as alegrias que a vida vos dá, partilhando;
o amor que brota das vossas vidas,
dos vossos corações para a vida querida.
Não vos entristeceis,
o que vos pesa desse lamento que vos encerra,
são as vicissitudes da vida,
duma cruz que na vida cresceu.
Ela faz parte da tua essência;
foi nela que o amor fecundou para todos os seres,
esse deslumbramento se perpetuou.
Foi nela que a dor foi remida,
sobre chagas e dolorosas feridas
para salvação de todos os povos.
Foi nela que a eterna felicidade brotou,
dum pesado madeiro nasceram as flores do afeto,
da amizade, 
da bondade,
da alegria para a universal paz.
Foi na cruz que se derramaram as lágrimas e o sangue da dor
e se transformaram em fonte de amor;
em abraços para todos os seres humanos,
numa paz jamais infindável.

Essa é a tua cruz. Abraça-a, amando-a

como força da tua vida.

Valdemar Muge

Saturday, September 13, 2014

QUE SOU E TU O ÉS


Que sou, que serei?
E tu quem serás, que de ti terei?
Serei vento,
e a água das fontes que canto;
serei mar,
das ondas que marulham para te amar!
E tu?
És brisa,
a que abraça o vento e em mim desliza;
És leito do rio, a água correndo
das fontes que embalo e juntos percorrendo;
És a aragem chegando
deste mar que nos une, cantando!
Sou voz,
sou eco
e sou palavras que ao dia dou a todos vós;
sou tempo presente,
tempo de que todos sejam queridos firmemente;
sou vida,
ser que a ama e quer que sempre seja querida!
E tu és aconchego,
compreensão
das palavras que nos saem do coração;
és luz,
alegria,
felicidade do tempo que abraçamos em cada dia;
és aurora,
és melodia,
és manhã renascida,
és vida na vida que amamos dia-a-dia!
Serei como terra,
chão,
árvore,
 raiz da vida que cresce à vida que nela encerra;
serei dia,
noite,
luz ou nuvem
neste peregrinar que nesta alma habita!
Tu és flor,
fruto,
deste chão que te ampara na alegria e na dor.
Tu és força querida
destes dias que por nós passam nesta vida.

                 Sou ser que te abraça,
                 serei ser que o amor enlaça.

Valdemar Muge

Saturday, August 30, 2014

MEUS SONHOS


Meus sonhos sempre nasceram no raiar do dia!
Eles alvoreceram na alegria da vida que desponta.
Eles viveram, cresceram e se realizaram no amor, na felicidade,
 na contribuição irmanada entre os seres que nos desejam,
que nos são queridos e que amamos.
Meus sonhos,
são desejos de paz, de cordialidade, de afecto.
Eles flutuam no vento que a todos abraça,
na luz que a todos ilumina.
Eles nasceram dum coração de esperança,
dumas mãos afectuosas,
duma boca silenciosa filha do silencio da natureza.
Meus sonhos,
hoje, alguns são recordações que vivem no manto da saudade,
outros, são vivências construídas no terreno do trabalho,
da abnegação, da dedicação.
Meus sonhos não foram filhos da noite, da escuridão,
preferi  os da claridade,
os do alvorecer de cada dia da vida,
os que sempre brilharam à luz do dia.

Hoje percorro com essas memórias,
com essas realidades que abraço e amo num grande abraço 
de amizade em todos os seres queridos,
com os futuros da esperança que nunca deixará de existir.


Valdemar Muge

Saturday, August 23, 2014

A FELICIDADE


A felicidade poder-se-à comparar com a árvore da vida: dará suas ramificações com seus frutos que alimentam a vida.
Poderá uma árvore custar a desenvolver,
poderá a sua robusta aparição custar a aparecer no tempo que passa,
mas no esperado futuro, sempre surgirá à vida,
para a vida resplandecer.
Pois a felicidade quantas vezes não aparece quando a queremos,
 mas ela sempre surgirá com o tempo.
Será preciso abraça-la quando surge.
Não a larguemos; não a deixemos fugir.
Será pois como a árvore da vida: uma criança que se aproxima,
que queira e dê amor: eis uma ramificação da felicidade.
Poderá ser dois seres que se amam e se unem com o maior carinho e dedicação amorosa.
Poderá ser quanta amizade e afecto de quantos seres que nos estimam e nós com quanta retribuição espalhamos esse carinho: que maravilhosa felicidade, essa, existe na humanidade!
Quantas ramificações, todos os dias, podem crescer junto de nós.
A bondade; a prestação; o bem -fazer; um simples sorriso, um pouco de afecto, será seiva para crescer as ramificações da felicidade.
A felicidade corre na rua todos os dias ao nosso lado.
Haja a força de vontade de a querer,
de a abraçar e não a deixarmos fugir,
ela está com o amor e o amor está na felicidade.

Valdemar Muge

Friday, August 01, 2014

SE PUDESSE EU FAZER


Em vez de escritos,
 pudesse eu fazer meus versos em brinquedos,
para os meninos pequeninos os soubessem ler.
Que felicidade as crianças a mim virem,
ao coração delas meu sentir florir.
Na minha alma, os seus seres viverem:
um mundo de amor na vida construir.
Que razão maior haverá:
uma criança brincar com um poema querido!
Não sei o que fará maior sentido,
 do que a felicidade duma criança, aqui e acolá.

Mas que querem que eu sinto
também àqueles que não podem ver
e meus versos, eles não sentir e ler,
para que pudessem compreender o que digo e não minto.
Pudesse eu os fazer em objecto e forma
e ter todo o sentir do meu sentir que digo.
Todos sim!
Criança ou adulto,
leiam os versos que o sentir de um ser dedica.
São balsamos que para vós vão
e serão sempre retalhos duma vida que para vós fica.

Valdemar Muge

Sunday, July 13, 2014

NESTE SILÊNCIO


Neste silêncio que hoje aqui permanece,
o sentir dos corações que passam se desenvolve:
Vejo os traços das plangentes lágrimas deixadas nos rostos,
razão de ser de passados do vosso viver,
que no coração marcou e não esquece.

Neste silêncio que vagueia onde viveis:
É conforto, é desabafo da nostalgia que conteis;
é sentir que tendes, mesmo que não quereis
na passagem do tempo do vosso viver,
no percorrer da vida do vosso ser.

Neste silêncio, vê-se as marcas deixadas do viver:
Os sulcos gravados dos sofrimentos e privações;
os acontecimentos, quantos, que a vida deu;
as felizes recordações que tanto foram queridas;
os sonhos que passaram nas vidas tidas.

Tudo isso, são factos sentidos do tempo vivido.
Agora, enquanto povoa este silencio presente,
nestas ruas sem vida, adormecidas,
de ar amargurado que nelas correu,
surja uma nova vida, que seja contida:
se transforme a violência, em abraços irmanados;
a tristeza, em alegria permanente nos tristes corações;
os ódios, em afectuosos abraços de paz em toda a gente.


 Canto este silêncio: o renovador!
ao da esperança por um futuro melhor.
Canto a esta tranquilidade da Natureza-Mãe,
que floresçam as pétalas da felicidade entre os homens
e os frutos da sabedoria do bem querer;
que brilhe a luz do amor em todo o ser,
as mãos da boa vontade se dêem e se tomem
e os peitos se abrem com os clamores da concórdia!

Será idiotice ou loucura, fantasia ou sonho,
não me pergunteis,
porque dessas palavras não me tomo.
Ficarei com o sentir deste silêncio que aqui pairou,
que meu peito conteve e o coração vos cantou
deste meu consciente que para vós desejou.


Valdemar Muge

Saturday, July 05, 2014

ONDE ESTÁ O ROSTO


Onde está o rosto da alegria
que pelas ruas corria
e aos corações dos seres espalhava,
e a felicidade polvilhava!?
Onde está?
Onde está o rosto da juventude
airosa e traquina,
que sonhava, amava e padecia...
O rosto sereno e suave
que pelos caminhos percorria,
a natureza abraçava e a cantava!?
Onde está?
Onde está o rosto do amor
que tanto o desejava e procurava;
que tanto queria
e por ele sofria...
Desejo de que todos
pelo cálice dele bebessem
e a Luz da concórdia resplandecesse!?
Onde está?

Agora só vejo o rosto do desanimo,
do cansasso,
da tristeza.
Vejo os sulcos da idade,
marcados pela incompreensão dos homens
e do sofrimento dos corações destroçados.

Procuremos os rostos da vontade da paz.
Os rostos da alegria, que tragam a felicidade.
Os rostos do amor,
que saibam construir nos corações
a renovada primavera da fraternidade.


 Valdemar Muge

Friday, June 13, 2014

EM CADA DE VÓS


Em cada de vós,
vejo um sinal que vos distingue.
Em vós, vesse a força anímica que vos acompanha.
Em algumas de vós,
Está  a maresia, a força e a cor do mar da vossa terra
 que vos enche a alma e vos envolve os sentidos;
a grandeza que as águas lhe deram e o ânimo lhes acompanha.
Em quantas de vós,
 está o aroma, a beleza, o encanto das flores que a natureza da vossa terra floriu:
 em tantas, a frescura das viçosas pétalas,
 mas em outras o cansaço da vida que correu, como pétala derramada.
Em vós que na rua passais,
 está a alegria, a felicidade tanta,
 a primavera inundada que a vida  abraça destes fraternais seres, mas em quantos, a tristeza e saudade permanecem nos corações cansados que a vida lhes deu.
Em cada de vós,
                 está o trabalho, a dedicação, a preocupação, o amor.
É a vida que na rua passa,
 a vida que em todos abraça neste correr, neste viver,
como água correndo no seu leito seguindo,
como luz se espalhando aos seres que a querem e anseiam.


Valdemar Muge

Sunday, June 01, 2014

UM NOVO DIA


Eis o dia que da noite rompeu,
a aurora nos abraça e luz nos deu.
Eis o alvorecer da luz que da noite nasceu,
que nos guia na chama da vida.
Eis o recomeço de novas esperanças,
de concórdia dos seres irmanados para a paz.
Eis o dia das existências, dos encontros,
das formas, das ideias.
O dia das paixões, dos ódios, das contradições.
O dia das palavras que nascem dos corações da felicidade, do amor;
que nascem dos corações da tristeza,
da incúria, da maldade.
Da noite renasce a luz da liberdade, o alvorecer da fraternidade entre os povos
e o crer que entre os seres, haja a sinceridade vinda dos corações.
As palavras surgirão nos encontros dos seres
neste tempo que passa;
que corram como água límpida, sem manchas e turbulências.
Eis um novo dia que nasce e que esse se torne cada vez mais límpido e transparente duma verdadeira felicidade.

Valdemar Muge

Sunday, April 27, 2014

QUANDO A RUA PERCORRES


Vejo no vosso olhar quando a rua percorres,
reflexos de luz, alegria e tristeza,
eles são dons da vossa  beleza,
são sentidos da sua presença.
A vossa face, é espelho de quantas passagens do tempo,
tem os caminhos da essência percorrida,
da caminhada da infância iniciada
aos dias do tempo presente.
Tem os encantos dos sorrisos da felicidade,
tem as lagrimas dos destinos encontrados.
Na vossa face, estão os encontros do amor,
os encontros da felicidade, da dedicação.
Na vossa face, quando a rua percorres
e eu que por vós passo,
no cruzar de olhar que faço,
pergunto se vosso olhar não encobre sentidos,
sofridos, queridos, com esse sorriso,
a outra face de tristeza na alma, alojada.
Estes são os dias construídos dos seres,
os dias dos encontros e dos olhares sentidos.
O mundo criado dos sentidos que iluminam os olhares
e espelham nas faces marcadas pela passagem do tempo.
As palavras são abafadas pelo som do silencio, não se ouvem;
A voz dos sentidos ecoa no espaço presente,
os corações, esses, guardam todas as atitudes passadas,
e os pensamentos idealizam os sonhos do desejo para o futuro.

Os olhares caminham ao encontro da vivencia,
eles procuram o que ainda lhes falta,
quantos, o brilho da alegria,
outros, a quietude da felicidade.
No caminho, vai ficando o aroma e encanto da vivencia,
com o desejo duma essência fraternal entre todos.


Valdemar Muge

Saturday, February 22, 2014

QUERO MAIS UM DIA




Querendo, o ser humano pode estar em constante
aperfeiçoamento espiritual no dom da vida.

                                                                   ... Então:
Quero mais um dia
para beijar o amor querido,
amor que desejamos em cada dia
e recordamos felizes, essa dádiva tida.

Quero mais um dia
para abraçar a felicidade obtida,
ventura que nos corações floresce
e nos espíritos encanta e rejuvenesce.

Quero mais um dia
para ter a paz encontrada,
tranquilidade que sempre desejamos
e sempre para todos queremos.

Quero mais um dia
para ver o amor existir em todo o ser
e nos povos a concórdia
amanhecer em cada dia.

Quero mais um dia,
para beijar a vida e a vida viver;
para bendizer a Luz que vida deu
e o Amor que dentro de mim viveu.

Valdemar Muge
                                                                                                __