Saturday, November 06, 2021

EPÍTÁFIO


 

EPITÁFIO

"Aqui, o corpo baixará para pó e terra...

mas o espírito, se elevará ao encontro do Amor,

a Quem o espera para a Vida eterna."

 

Aqui, já não poderei amar os vossos rostos queridos,

esses, que se espelham no azul estrelar das ruas da vida;

já não posso sentir o afago dos vossos corações, no dia-a-dia;

e não terei esses sorrisos que amei, que os guardei no coração.

Oh, tempo que se vive, que o Mistério da Natureza nos dá,

silêncios presentes para amar,

maravilhoso bem que nos é oferecido!

 

Fronteiras brumosas que se vencem;

querer de realização de sonhos que se tem;

flores que nos encantam mas se perdem no caminho;

espinhos que ferem e a dor permanece no sangue:

são passagens na vida,

que aqui ficam e não levamos para Além.

 

Quando tiver que vos deixar,

irei ao encontro de nova Luz,

(então a vossa deixarei, porque minha já não será,)

porque esse, é desejo e esperança que não morrerá,

essa Luz de Amor que com ela sempre ficarei.

Na terra, a matéria ficará... mas enfim,

se elevará o espírito com Fé, com Esperança e Amor.

 

Esse é o destino natural a que fomos destinados...

mas convosco, sempre estarei,

na memória dos queridos,

e que essa memória jamais não seja esquecida.

Meus passos, já não estarão convosco;

minhas mãos, não mais vos escreverão para vós;

meu coração,

jamais sentirá a sensibilidade para vos cantar...

mas a memória, essa, será recordação

dum sentir de quem sempre vos amou.

 

Valdemar Muge

Saturday, October 30, 2021

AMANHÃ É OUTRO DIA



                                     AMANHÃ É OUTRO DIA

Bendito o dia que hoje abraço, com esta luz e este sol:

é essência da natureza,

é vida que a Vida nos dá, com certeza.

É pois,  este sol, esta luz que me ilumina:

que é a força mística que me guia, que me cria...

se assim não fosse, como seria?...

 

Este sentir, é cântico dos seres vivos e alegria da vida;

a realidade do desabrochar das cores da natureza,

e da suavidade das flores que caem em meu peito

e se diluem em minha alma:

é bálsamo que guardo em cada hora,

em cada dia que amo, que me ilumina.

 

Esta chuva silenciosa e meiga que á minha volta cai,

é seiva e alimento de fruto da vida,

dom da Natureza que nos alimenta,

louvor que elevarei, desta dádiva preciosa da sobrevivência:

é esta chuva, como gotas de sangue de alimento da vida,

em cada aurora, em cada dia percorrido,

que faz vibrar a alma sonolenta e triste, aqui, onde vivo.

 

Este vento sereno que traz esta preciosa chuva,

esta chuva que umedece estas palavras que vos canto,

tem a ternura da música que embala o espírito, tanto,

o som místico que se eleva aos céus,

e o ungido sagrado dos Infinitos:

contacto Supremo entre o céu e a terra,

entre a Vida e o quanto Mistério encerra.

 

Navego na luz deste dia, neste calor solar,

nesta chuva que me cria, neste vento que me leva...

Graças dou, a este dia que me ilumina,

a esta noite que me embala,

nesta Verdade da vida, neste sonho de Amor que me fala:

porque amanhã, será outro dia,

outro dia será que amarei a vida.


Valdemar Muge

Saturday, September 25, 2021

ESTE NOSSO OUTONO

 


 ESTE NOSSO OUTONO

Nesta quietude e dourado Outono

que à minha volta se espalha,                                                           

bebo do seu cálice de afago e poesia,                                                  

de felicidade e alegria à vida,                                                               

por hoje o poder abraçar e vive-lo dia-a-dia.

 

                 O vento me envolve com as folhas deste Outono dourado,

                 e a alma se extasia, no encanto destes serenos dias.

                 Neste Outono que tenho e vivo,

ele traz-me as recordações dos perfumes de mel           

de quantos entes queridos e amados que tive;

dos convívios, no crepitar do lume na lareira                                     

de tempos jamais esquecidos.                                                                               

Desses tempos de menino,

ficou o odor das flores de felicidade,

como recordação para este Outono que canto.        

Era então, o rebentar das flores da Primavera,

que tudo era sonho e ilusão;              

as almas cantavam e os corações tudo queriam amar.

 

Mas no Outono presente,

não quero a saudade das cinzas do passado,

nem as lágrimas e desilusões que o tempo as levou...               

quero o suave encanto de hoje, construímos-lho;

a alegria do presente e a esperança do futuro.                           

Quero a alegria da felicidade em todos os corações.

Quero o riso de cada manhã que renasce,

embalado em sonhos acessíveis que a vida nos oferece.          

Quero as mãos e os abraços da fraternidade deste Outono,

dados em cordial harmonia e concórdia,                                              

e, os lábios e os rostos felizes, em união de felicidade,                      

e todos os membros do corpo,                                                              

se abracem em elo de alegria em fraternal igualdade.         

 

Quero a paz deste momento,  

para espalhar nos que sofrem neste mundo conturbado,       

para que todos se amam, que todos sejam felizes.

Quero a alegria deste Outono de poesia,      

para apagar os queixumes                                                                                

e os gritos que chegam até nós:

da dor dos desempregados,                                                                          

dos gemidos dos famintos,                                                                             

da angústia das crianças dispersas,                                                               

do desespero dos torturados                                                                            

e da agonia dos moribundos,                                                                           

nesta imensa e humanidade ferida.  

                                                            

Oh! Membros que sangram, sejam felizes,

tomai a alegria deste Outono que vos abraça e afaga!                             

Porque se assim sofreis,

também não posso ter alegria e como vós sofrerei.

 

Cantemos, abracemo-nos, sejamos felizes!

Construamos mil outonos de paz e amor!

O Outono de folhas sofridas e tristes,

o que muitos seres ainda o têm, que desapareça,

porque não é esse que ansiamos!

 

Procuramos então, sempre, o que idealizamos e amamos,

o que sempre a alma ansiou:            

o da serenidade e da paz.                                                                 

Estaremos juntos, nesses nossos outonos,                                              

abraçados ao encanto da poesia,

ao encanto da felicidade.

 

                                    Valdemar Muge

Saturday, September 18, 2021

NOS SILÊNCIOS DE SETEMBRO

 


NOS SILÊNCIOS DE SETEMBRO

 Depois de Agosto, vêm nos silêncios de Setembro:

As suaves tardes com o deleite pôr-do-Sol,

no pouso embalador das águas que o guarda;

é nas manhãs de Setembro, quando a chuva corre,

que corre nas faces do amor, da esperança, da felicidade,

suave como numa carícia,

refrescando os sorrisos da amizade;

e nos corações, de quanto ardor do amor que neles floresceu,

sente-se doce bálsamo, que jamais se esquece e neles viveu.

 

É no frescor de Setembro,

que se sonha na poesia dos encantos

e desencantos das palavras e dos sentidos,

das estrelas e da magia dos olhares enamorados

que se encontraram, que se abraçaram e permaneceu.

 

Na frescura de Setembro,

guarda-se os ternos sorrisos partilhados,

os sonhos e as ilusões que nasceram com a maresia,

e os convívios que sempre ficarão guardados.

Tempos felizes, recordações de saudade,

que estes dias de Setembro faz lembrar: felicidade!

 

E aquela fresca chuva cai,

cai no olhar saudoso nestes dias de Setembro;

nas vivências que se despedem de quantos corações

que vão... e, então, quando a chuva secar,

ficará apenas o silêncio da saudade em quietude amar...

 

Nos silêncios de Setembro,

as madrugadas têm mais brilho, e o horizonte mais cor;

o cantar dos pássaros tem mais alegria,

e os silêncios mais sentido na vida;

os sorrisos mais afeto, e os corações mais felicidade:

tudo isso, por ser o inigualável Setembro de saudades…

 

Valdemar Muge

Sunday, August 22, 2021

NA EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE

 


     NA EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE.

Ao longo de biliões de anos, o planeta Terra,

tem vindo em transformação da natureza.

Do quente Plasma de Quark-Gluões se fez o Universo, e dele,

as suas Estrelas, Planetas e seus núcleos de átomos, se formaram.

A sua evolução, é feita lentamente através dos acontecimentos

sísmicos naturais de que o planeta é constituído.

E assim, nasce a atmosfera, a Luz, o dia e a noite, neste planeta;

se formam os mares, e a vida para a existência de que somos.

Mistério este do Universo,

onde habitam infinitas Galáxias e Estrelas, Planetas e Esteróides, 

num espaço que não tem princípio e não tem fim.

Mistério que a ciência ainda não chegou a conclusão concreta.


Das existentes moléculas e primitivas células, nascia o ser vivo:

suas espécies e formações. E assim, evoluiu a vida animal.

Maravilha esta do nosso planeta, 

onde habita um mundo vivo da natureza, 

um mundo de seres que se formaram e têm a sua existência.

Mistério ainda maior, 

é a criação do ser humano, racional e inteligente;

o ser que foi criado para viver harmoniosamente 

e unido entre os laços do amor, do afeto e da paz.

A Natureza não se limitou a ter só seres irracionais, 

quiz que houvesse um ser que viesse do Amor e do afeto;

um ser que vivesse em fraternidade e amor, 

e com fé e acreditando, um dia vai ao encontro desse Amor.


O Homem, se foi aperfeiçoando e desenvolvendo.

A sua mente, se foi evoluindo e cada vez mais inteligente.

Ele faz parte da natureza, e a sua mente é cada vez mais evolutiva.

As suas conquistas e descobertas,

ultrapassam os princípios da própria natureza terrestre.

Em nome da sobrevivência do ser humano,

o Homem poluí: a terra, o céu, os mares;

constrói armas que destrói a sua própria sobrevivência;

fabrica química que poluí a terra, e ela fica árida;

a ganância evolui, o poder absoluto com a corrupção, é cego,

e a fome se alastra nos povos indefesos e acorrentados.

 

O Homem, faz parte da história do Universo.

Ele, é um ser para viver num planeta,

fazendo parte da sua natureza, cultivando-a, e não destruindo-a.

O Homem faz história, a história da sua sobrevivência,

história que se sobrepõe a todas as outras.

O passado é uma memória,

o presente uma realidade, o futuro o predestinado.

Estamos entre o passado e o futuro, no presente:

saibamos construir o presente, para amarmos o futuro.

O Homem tem que ter consciência do que faz,

do que inventa, para a sua própria sobrevivência.

Dar graças da sua existência,

porque outro ser tão perfeito, jamais existirá.


Eis a grandiosa maravilha jamais vista ao nosso alcance:

o universo, a luz solar, o Homem criado no planeta Terra,

que tudo isto nos foi dado, para sentir e amar!

Fazemos parte da luz que nos brilha, do vento que passa,

da vida da natureza, essência desta existência Criada do Amor.


Valdemar Muge

Saturday, August 07, 2021

É PRECISO TER O AMOR

 


É PRECISO TER O AMOR

É preciso ter o Amor!

                                É preciso tê-lo no coração,

                                na partilha, na bondade;

                                é preciso encontrá-lo em cada gesto,

em cada atitude, em cada dádiva, na verdade.

O Amor, é força da vida,

                               é essência da existência, é Obra de Deus.

Deus é Amor, é Verdade, é a Vida;

                               Ele está presente, está na nossa vida,

e se formos construtores de Amor,

mais presente estará,

porque Amor com Amor,

jamais se separara.

 

Um dia, o corpo baixará ao pó da terra,

mas o Amor se elevará ao encontro do infinito Amor,

se juntar-se-a com a Verdade e a Vida,

e com tantos que nos foram queridos, agora saudade..

Sejamos fermento de Amor, vida da Verdade,

                               verdadeiros seres do Amor!

                               Que cada manhã de cada dia que amanhece,

traga a Luz que ilumine a alma

                               e a encha com o Amor.

 

Nesta passagem do tempo,

seja o tempo de construção,

de entrega, de perfeição.

                               Quando um dia a principal regra da vida na Terra,

for a construção do Amor,

seremos felizes, sem que haja ódios e vinganças,

guerras e ambições de poder.

Esse, será meu sonho!

                               A esperança que ainda possa ver em todos os seres:

a fraternidade e a ternura do Amor da vida.

Que não seja utopia este meu desejo,

para que haja razão da nossa existência

e do nosso percurso.


Valdemar Muge

Sunday, July 25, 2021

MEU AMIGO SERÁ...

 


                    MEU AMIGO SERÁ...

 Se pedires para teu amigo ser, amigo serei:

se fores amigo de todo aquele que bem te quer ter.

Mas antes, te direi:

que quero ser amigo, daquele que amigo é:

da criança que passa e um afeto lhe deixa até;

uma mão de ajuda, de afago, de carinho que nela pousa;

uma frase, um conselho, um estímulo querido lhe deixa,

enquanto elas sonham,

sonham com as estrelas que procuram,

e aguardam os afetos desejados que ainda não viram.

 

Quero ser amigo, de quem afasta a solidão do idoso;

de quem partilha alegria a quem caminha com a tristeza;

daquele que dá paz a quem a perdeu

no escuro do desassossego;

de quem dá ternura, ao desventurado do amor;

a quem dá amor, ao desditoso, ao infeliz na dor;

àqueles que esperam na sombra da saudade,

a espera querida do conforto da felicidade...

 

Quero ser amigo,

de quem abraça a luz do sol, agradecendo-a,

e estima a vida da natureza, bem-dizendo-a;

com seus sorrisos, inundar os olhos da convivência;

com a sincera amizade,

espalhar o amor, a paz, a felicidade

a quem segue os caminhos da esperança, da Vida.

Que o elo da amizade, seja a união da confraternização;

o vento que passa e vai das ausências, da solidão,

que deixe o novo tempo de um acordar de vida,

de fraternidade,

uma esperança de novos horizontes,

ou, um mar de paixões á vida.

 

Contigo, amigo:

       quero ter a amizade com as manhãs de alegria que desponta,

       com a aragem onde se respira o doce aroma do rosmaninho,

       com o pássaro que oferece a melodia da alegria, da vida.

      Juntos, cantaremos com a música do rio que passa,

      com a brisa que nos envolve, beijando,

      com a luz que nos abraça, afagando:

      o hino á vida, á amizade, á felicidade.

 

      Quero que todos os rostos amigos,

      sejam rostos sinceros e puros,

      mesmo que já tivessem cicatrizes de dor, de angústia...

      mas agora, que tenham os olhares luminosos da poesia,

     da cordialidade, do afeto.

     Com todos vós,

     abraçaremos e caminhemos os caminhos da sã amizade.

 

            Valdemar Muge

Saturday, July 03, 2021

O RETRATO NO ESPELHO

 




               O RETRATO NO ESPELHO

O espelho da vida, me viu, e não mente...

ele me mostra a face, do quanto a alma sentiu.

Pois ao longo da vida,

quantos elogios, quanta ternura,

e quantos desagrados ouviu.

Muitos, nos ficam gravados na memória,

aqueles que foram sinceros e verdadeiros,

mas outros, procuramos esquecer,

aqueles que a memória não deixa a felicidade ser.

 

Quando me olho nesse espelho,

vejo como o tempo depressa passou,

e tanto levou e tão pouco ficou:

Já não vejo o olhar da esperança

dos quantos sonhos idealizados;

a face do renascer dos sorrisos,

dos então encontros das primaveras floridas;

os lábios desejosos do amanhecer, agora,

tão vazios e amargos do Outono que passa;

um coração que expandia a alegria,

agora, silencioso no tempo, que o tempo cria.

Um rosto que agora tanto já não tem

no enrugado da face, que agora vem,

nos sulcos da vida que a vida não perdoa,

e na voz que agora pouco ecoa,

se descobre a Saudade que a gente tem:

a das primaveras da vida, da luz,

jamais esquecidas e queridas,

que agora não reluz e mais não vem.

Mas dentro do peito, que enraizado está,

na seiva de sangue que o corpo tem,

está o homem que sempre foi, é, e sempre será.

 

Não vale a pena fingir ou disfarçar

do que parece para o que realmente é...

esse inventar, não nos levará a nada.

A realidade, sempre flui no espelho,

e o que conta, é o momento da renovação

do que somos e desejamos até.

E assim felizes seremos na vida,

não pelo que parece,

mas no que julgamos e pensamos que é.


Temos em nós, o renovar da vida, o espírito criador,

somos filhos do Criador, fruto da essência

desta natureza que tem o seu encanto:

quando a árvore está triste

por uma flor a estar deixando,

virá outra a renovar-lhe a vida, dando;

se subirmos ao cume da montanha,

onde mais perto do céu,

da luz, das estrelas estamos,

sentiremos renovados pelo infinito Esplendor...

de lá, vemos a grandeza do mar,

a força da natureza;

vemos no espelho do horizonte,

o espelho da Vida,

esse reflexo da razão,

a nossa pequenez, a essência do que somos,

a humildade que sempre devemos ter,

esta grandeza de Deus que nos fez ser.


Aqui me vejo, o que sou na realidade,

nesta noite, neste dia

que a vida amei, e fiz tanto que queria

sem disfarces, sem mentiras.

Me fiz no tempo e o tempo me levou,

( e sem tempo um dia ficarei, )

para ser agora aquilo que sou;

sonhei, cresci, vivi...

um caminhar de esperança, ao encontro

de ter o que o tempo me deixou.

E assim, me fiz gente na noite, no dia,

com alma que vos estima,

e sem a vossa amizade, que eu seria?


Valdemar Muge

A PRIMAVERA E A ANDORINHA

 


              A PRIMAVERA E A ANDORINHA

 A primavera está triste, e triste está a natureza.

Chove no dia que passa e chove no canto da tristeza;

ouve-se o ciciar do vento que passa por entre o arvoredo,

e o vento por desgraça, derrubou a jovem andorinha.

Aquela chuva pára, e o vento já longe passa,

mas a andorinha no charco, padece sua desgraça.

 

A primavera está triste e triste está a andorinha,

até parece que a primavera se vai embora,

por ver que vai perder aquela andorinha que chora.

Mas há sempre umas mãos ternas, que sara,

e um coração generoso que passa e pára:

a jovem andorinha do charco saiu,

e com o carinho encontrado, resistiu.

 

E a andorinha viu e sentiu,

que sempre haverá uma primavera,

hoje e amanhã,

que sempre florirá, e sempre se cantará,

enquanto houver umas mãos de ternura,

e um coração generoso de carinho que dure,

 o canto alegre da andorinha, aconteceu,

e então, encontrará a primavera da liberdade.


Valdemar Muge

Saturday, June 12, 2021

DAS MÃOS DO OLEIRO


                                DAS MÃOS DO OLEIRO...

As suas mãos, eram criação.

                               Delas, nascia a forma

                               simples da sua sensibilidade;

                               a arte manuseada da sentida inspiração;

                               a obra realizada da tradição de um povo.

 

Das suas formas, nasciam palavras que viveriam,

                               que abraçavam a água, a luz, a vida;

                               abraçavam o trabalho, o talento, o tempo;

                               corriam horizontes, 

                               deixavam ternura pela alma dentro.

                               Ele, meditava com as estrelas que criou;

                               sonhava nas noites que nelas se refugiou:

                               eram crepúsculos de uma vida que vivera.

 

Das suas formas, sentia-se o cantar da sua alegria,

                               e o amargor da sua dor:

                               eram o refúgio do seu sentir,

                               a herança deixada da sua existência.

                               Ele queria deixar nas suas formas de barro,

                               (a substância que sempre trabalhou,)

                               gravados os sentidos da arte, da paz e da ternura;

                               queria deixar o testemunho nas suas formas criadas,

                               a cor da luz, a imagem da alegria e da esperança,

                               o brilho do dia e o crepúsculo do anoitecer que sempre viu,

                               onde umas mãos sensíveis, podem idealizar vida,

                               podem transmitir amor que nele existiu.

 

Pudesse eu assim fazer nas palavras escritas;

                               pudesse assim ter umas mãos criadoras,

                               que o Criador nelas mostra a Sua sublime imagem.


                       Valdemar Muge

Tuesday, May 25, 2021

A TRISTEZA



                A TRISTEZA

Tristeza esta que me consome a alegria...

oh, saudosa alegria que agora é tristeza.

És solidão e dor que a saudade guarda,

mágoa que o coração sente e não sara.

 

A solidão, é companheira da tristeza,

como a alegria, é irmã da felicidade.

A noite, é companheira da solidão,

é o tempo silencioso das recordações,

esse sentir angustiante, é peregrina da saudade...

mas o renascer de cada dia, é alegre esperança,

é suave bálsamo para a tristeza quando se alcança.


Na vida, vamos aprendendo a vencer a nostalgia,

com sorrisos afetuosos, com o abraço amigo;

a desilusão, com a compreensão,

refletindo quem teria realmente razão;

a tristeza, ficará no baú das recordações,

se construirmos afetos repartidos,

aspergindo amor aos corações angustiados.

Duas essências da nossa vida, permanecerão:

 a alegria e a tristeza.

A alegria, que é a gratidão da nossa existência e o que somos;

a tristeza, a saudade de quanto de bom e querido perdemos.

 

Para todos nós, sempre ao Infinito, pedirei:

Venham, venham estrelas amigas, que nos protegem,

venham trazer o brilho da paz e a força do amor;

venham com a fraternidade e a esperança do sentir

de que todos sejam irmãos, seja de que raça for;

venham, venham iluminar os corações

com fé da felicidade e alegria de viver!

Que desapareça, assim, a iniquidade e o descrédito,

as guerras e a miséria,

os ódios e a cruel tristeza, 

essa tristeza minha, deste mal que o Mundo tem.

 

Que baixe Senhor, o vosso espírito,

e a Terra,

seja renovada com a Vossa alegria.


Valdemar Muge

Saturday, May 15, 2021

MEMÓRIAS

 


                

    MEMÓRIAS

               A ESPERANÇA

Há palavras que doem no coração,

e outras, nele, tão belas emoções o são.

Na vida, há palavras que vida dão, 

mas outras, nem vida, nem palavras serão.

Na caminhada da vida,

quantas ruas que palavras não têm:

são as ruas do silêncio,

as ruas da aragem da nostalgia,

onde há sempre alguém com um amor perdido,

desiludido,

sem que o possa encontra-lo...

mas há as ruas da esperança, do encontro,

onde haverá sempre um amor que nasce em cada manhã,

que nasce vida para viver o novo hoje, o amanhã.


Haverá sempre uma nova esperança que vem,

quando a esperança que era e agora já se não a tem.

 O tempo, dá vida á flor,

mas a vida é vencida pelo mesmo tempo

que vida deu, seja ela qual for.

Na existência da vida,

quantas esperanças se sonham, nascem,

florescem e se fortificam...

mas outras, quantas são desilusão,

quantas são paixão que morrem...

mas elas serão sempre a essência do viver,

porque sempre haverá uma esperança de um sonho

que desponta em cada aurora,

uma flor para a vida que desabrocha,

que nos espera, em cada madrugada.

 

Há corações com angústia


que a dor neles perdura:


são memórias que não se esquecem,


e que por vezes tanto permanecem,


duma vida que foi dura.


Há vozes que clamam a pobreza que no mundo prolifera,


e é dessas vozes, desse clamor,


dessa pobreza que a alma encerra,


que quantas vozes perecem para o silêncio do pó da terra.



.Na cidade, chove, e chove no meu coração,


pois nele, o sentir da alegria não existe,


quando na existência do desespero e da solidão,


vê-se na lama da chuva caída,


as pegadas de tanta podridão.


Mas há sempre, sempre, (e que sempre exista),


uma esperança, uma flor, uma alegria,


um afeto em cada ser, em cada vida, em cada dia,


para que as memórias não tenham dor,


mas tenham um sentido de fraternidade e amor. 




Valdemar Muge