Saturday, June 25, 2016

O GRITO NA NOITE

                                                                 


São frágeis seres que na noite povoam;
são inocentes corpos
que habitam os escombros das ruas;
são ilusões que  permanecem nos brilhos camuflados
dos vícios maléficos da alma!

Oh mimosos seres,
inocentes jovens almas,
como viveis a vida tão cheia de fantasia
e cheia de ilusão,
sem que possais compreender
que no labirinto pungente que percorreis,
a viciosa desgraça, em vós fermenta!

Sois botões prestes a desfolhar,
onde as vossas pétalas, estão próximas
a cair no charco que povoais, que, na ilusão,
não o vedes junto a vós!
Vossas vozes,
ouvem-se na poeira espalhada
das ruínas da decadência!
Tropeçais nas faces desconhecidas
que vos toldam a alma,
e seguis na ilusão desse brilho camuflado
que vos conduz ao charco da droga, à ruína do corpo.
Minha voz grita o apelo de que renunciem a vida
que esses seres inconscientes praticam!
Grita nesta noite de charcos lamacentos!
Não tirem a luz da compreensão às flores em botão;
não as deixem que se prendam nas correntes viciosas
e maléficas da miséria!

Que o grito na noite,
se ouça nos corações que habitam
nos escombros de ilusões camufladas nas ruas!
Que o eco do grito da noite,
percorra os silêncios adormecidos
das consciências distraídas!
Não deixem morrer as flores
dos jardins esquecidos,
e reguemo-las com a água da amizade;
e as mãos do afeto, as amparem, protegendo-as.
Não deixem que as inocentes lágrimas, deslizem
nas amargas correntes que encontraram,
e, os sentidos de dor,
não povoem nos caminhos
que então foram de ilusão!
Fiquem para trás, as sombrias noites,
onde pairam as névoas do desassossego,
e resplandeça para todos, os límpidos
e serenos dias do amor fraternal!

Amanhã, o novo dia,
que seja o raiar de luz para os seres
que não foram presos
nas correntes da desgraça!

 Valdemar Muge

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